{"id":2176,"date":"2024-01-25T22:01:40","date_gmt":"2024-01-25T22:01:40","guid":{"rendered":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/?page_id=2176"},"modified":"2024-01-26T23:26:43","modified_gmt":"2024-01-26T23:26:43","slug":"capitulo-5","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-5\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 5"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Cap\u00edtulo 5 &#8211; Tiago, m\u00e3os que falam &#8211; cora\u00e7\u00e3o que sente<\/h1>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Autores:<\/strong> Susana Maur\u00edcio e Elisabete Machado<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> 2.\u00ba ciclo de ensino b\u00e1sico, estrat\u00e9gias familiares, l\u00edngua gestual, surdez<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cita\u00e7\u00e3o:<\/strong> Maur\u00edcio, S. &amp; Machado, E. (2023). Tiago, m\u00e3os que falam \u2013 cora\u00e7\u00e3o que sente. In M. Francisco, C. Tom\u00e1s &amp; S. Malheiro (Orgs.). <em>12 hist\u00f3rias educacionais: Ser diferente na diversidade. Pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas em contextos pouco vis\u00edveis<\/em>. [Online]. LEAD, Universidade Aberta.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fpldKZomj1o?si=TXK-Fn1x8BIsywrq\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Do nascimento ao 2.\u00ba ciclo<\/h3>\n\n\n\n<p>Este cap\u00edtulo intitula-se Tiago, m\u00e3os que falam &#8211; cora\u00e7\u00e3o que sente. O meu nome \u00e9 Susana Maur\u00edcio e venho contar a hist\u00f3ria do meu filho Tiago, que \u00e9 Surdo profundo e tem agora doze anos. Bom, vamos come\u00e7ar do in\u00edcio!<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O Tiago, o nosso segundo filho, nasceu em 2010. Temos tamb\u00e9m a Sarah, a irm\u00e3 mais velha, que tem agora quase quinze anos. Quando o Tiago nasceu, ela tinha dois aninhos, era uma beb\u00e9. Foi uma enorme alegria para todos n\u00f3s, fam\u00edlia, a vinda do nosso segundo filho. E de repente, deparamo-nos com uma grande surpresa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tiago \u00e9 Surdo!<\/p>\n\n\n\n<p>E arranca esta grande hist\u00f3ria, n\u00e3o \u00e9? O Tiago \u00e9 surdo. Tenho um filho surdo e agora? H\u00e1 toda uma fase inicial de diagn\u00f3stico, de exames, de grandes d\u00favidas, de grandes anseios.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para nenhum pai, nenhuma m\u00e3e, de repente receber uma not\u00edcia t\u00e3o fora da caixa! O que viemos a perceber ao longo do tempo? E felizmente muito rapidamente: entendemos que a liberdade tamb\u00e9m \u00e9 fora da caixa. Que de facto existe liberdade e que ela pode ser escolhida. E come\u00e7a esta nossa grande hist\u00f3ria!<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o Tiago nasceu, tal como todos os beb\u00e9s, fez o diagn\u00f3stico auditivo neonatal, um exame que \u00e9 feito de forma transversal a todas as crian\u00e7as que nascem. O resultado n\u00e3o foi conclusivo. Como podia haver v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es para tal, volt\u00e1mos a repetir este exame. Voltou a resultar em n\u00e3o conclusivo, e ent\u00e3o pass\u00e1mos aqui por esta fase: l\u00e1 est\u00e1vamos n\u00f3s a fazer exames mais s\u00e9rios e, fizemos um ERA (Potenciais Evocados Auditivos). E com este exame, aos quatro meses, tivemos a confirma\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico de surdez profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Sucedeu-se toda uma fase de enorme desgaste, de muitas consultas, muitas idas ao m\u00e9dico, ao hospital e, portanto, como disse, ningu\u00e9m est\u00e1 preparado para no in\u00edcio de uma nova vida e da grande felicidade que \u00e9 a vinda de um filho, passar por todo este caminho, logo t\u00e3o intenso. Aos sete meses do Tiago, tivemos realmente a certeza, a confirma\u00e7\u00e3o total deste diagn\u00f3stico de surdez profunda e s\u00f3 mais tarde, quase com dois anos de idade, descobrimos a origem da surdez: o Tiago \u00e9 Surdo profundo por origem gen\u00e9tica. Tanto eu como o pai do Tiago temos uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que 4% da popula\u00e7\u00e3o mundial tem e, por coincid\u00eancia ou n\u00e3o, ambos a temos. O Tiago nasceu com este gene ativo e, portanto, com a surdez profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>E de facto esta primeira grande d\u00favida: tenho um filho Surdo, e agora?<\/p>\n\n\n\n<p>Pass\u00e1mos por um processo muito grande de procura de informa\u00e7\u00e3o, de pesquisa. Muitas d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao presente, \u00e0quela data, e ao futuro. Como \u00e9 que vamos fazer tudo isto? Como \u00e9 que nos vamos adaptar a esta grande novidade, a esta realidade? Pesquis\u00e1mos, pesquis\u00e1mos. E percebemos que em Portugal, quando pesquisamos sobre surdez, a informa\u00e7\u00e3o que nos chega de uma forma quase exclusiva, tem a ver com reabilita\u00e7\u00e3o auditiva. De repente, estamos envoltos em m\u00e9dicos, em dispositivos, em produtos de apoio, na escolha entre os aparelhos auditivos e os implantes cocleares. \u00c9 uma fase muito, muito densa para quem come\u00e7a a caminhada de um filho. Seja o primeiro, o segundo, o terceiro, mas \u00e9 uma caminhada muito densa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sorte, no meio de toda esta pesquisa, o que me estava a faltar era algo essencial para mim enquanto pessoa, que era o paradigma humano. Onde \u00e9 que est\u00e1 o paradigma identit\u00e1rio, cultural, a pessoa surda, o que \u00e9, onde \u00e9 que eu vou encontrar estas pessoas?<\/p>\n\n\n\n<p>Consegui chegar \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Surdos (APS). E com ela \u00e0 L\u00edngua Gestual Portuguesa (LGP)! Hoje, colaboro diretamente com a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Surdos. Fa\u00e7o parte da dire\u00e7\u00e3o, mas \u00e0 data nem t\u00e3o pouco sabia da sua exist\u00eancia. Foi aqui que descobri a APS e lembro-me muito, muito bem do primeiro dia que l\u00e1 fui, da campainha que tocava sem som, com uma luz. De entrar na associa\u00e7\u00e3o e de parecer que estava vazia, porque estava tudo em sil\u00eancio e de repente, encontro a conversa mais din\u00e2mica que j\u00e1 tinha visto na minha vida. Havia imensas pessoas a conversar com dinamismo, com uma rapidez, com uma leveza. E o meu cora\u00e7\u00e3o abriu naquele dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi aqui que eu e a minha fam\u00edlia inici\u00e1mos o nosso percurso na aprendizagem da L\u00edngua Gestual Portuguesa, a maior d\u00e1diva que tivemos. Foi muito, muito bonito encontrar estas pessoas Surdas, encontrar a solu\u00e7\u00e3o social, a dimens\u00e3o humana. E come\u00e7\u00e1mos aqui, com este encontro, a desenvolver as nossas aprendizagens, mas n\u00e3o s\u00f3 lingu\u00edsticas. Com este encontro, de facto, tive resposta para a primeira pergunta que tinha feito l\u00e1 atr\u00e1s. Houve uma pergunta que fiz a mim mesma enquanto m\u00e3e, quando comecei a pensar em todos os meus medos em rela\u00e7\u00e3o ao futuro do Tiago, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s oportunidades, \u00e0s escolhas, a toda uma sociedade que eu n\u00e3o entendia como sendo assim t\u00e3o acess\u00edvel, t\u00e3o preparada e, fiz uma quest\u00e3o a mim pr\u00f3pria. Lembro-me de estar a pensar comigo mesma: \u201cBom, eu quando penso, ou\u00e7o a minha voz. E o meu filho? Como \u00e9 que ele vai pensar?\u201d Mais do que tudo, mais do que como vai falar, queria perceber como \u00e9 que o meu filho iria pensar. E a resposta claramente \u00e9: em L\u00edngua Gestual Portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>A L\u00edngua Gestual Portuguesa, que \u00e9 uma l\u00edngua oficial no nosso pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 uma linguagem, como sempre ouvimos em todo o lado e como lemos nas not\u00edcias. \u00c9 uma l\u00edngua com estrutura pr\u00f3pria, com gram\u00e1tica e \u00e9 uma l\u00edngua com caracter\u00edsticas t\u00e3o belas. \u00c9 uma l\u00edngua t\u00e3o ampla, \u00e9 uma l\u00edngua eloquente, tamb\u00e9m subjetiva e po\u00e9tica, abriu-se aqui todo um universo. N\u00e3o s\u00f3 em torno da l\u00edngua, mas em torno dos seus falantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Estatisticamente, 95% das crian\u00e7as Surdas nascem de m\u00e3es e pais ouvintes. Portanto, \u00e9 f\u00e1cil deduzir sobre a imers\u00e3o lingu\u00edstica que qualquer crian\u00e7a tem desde o momento em que nasce. N\u00f3s nunca nos preocup\u00e1mos em pensar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa filha mais velha, a Sarah: \u201cComo \u00e9 que vamos comunicar? Como \u00e9 que vamos ensinar este conceito, esta palavra?\u201d Nunca nos preocup\u00e1mos com isto, \u00e9 inato, comunica\u00e7\u00e3o no seio familiar. Desde sempre, as crian\u00e7as ouvintes come\u00e7am a interagir, olhar, ouvir e h\u00e1 uma imers\u00e3o lingu\u00edstica, casual ou provocada, mas, seja como for, ela est\u00e1 sempre a acontecer. No caso de uma crian\u00e7a Surda, isso n\u00e3o acontece. No caso uma crian\u00e7a Surda, este processo tem de ser todo pensado, causado intencionalmente. Mas n\u00f3s queremos naturalidade, n\u00f3s queremos comunicar, comunicar com e em amor e n\u00e3o queremos estar sempre a pensar neste processo de provocar a aprendizagem. Como faz\u00ea-lo? A resposta \u00e9 clara:<\/p>\n\n\n\n<p>Aprender L\u00edngua Gestual Portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder veicular tudo aquilo que queremos dizer e fazer, sem barreiras. Sem barreiras, come\u00e7ar a construir este caminho de comunica\u00e7\u00e3o total e acess\u00edvel. A import\u00e2ncia da aquisi\u00e7\u00e3o precoce da L\u00edngua Gestual Portuguesa numa crian\u00e7a Surda \u00e9 imensa. \u00c9 urgente porque, ao passo que, como disse, qualquer crian\u00e7a, desde o momento em que nasce, est\u00e1 sujeita a esta imers\u00e3o lingu\u00edstica, na crian\u00e7a Surda ent\u00e3o tem de ser provocada. \u00c9 urgente, \u00e9 um processo onde n\u00e3o se pode perder tempo e \u00e9 um processo delicioso, riqu\u00edssimo. Eu lembro-me de, nas minhas primeiras aulas de l\u00edngua gestual, ir com uma sede incr\u00edvel, com imensas perguntas, \u201ccomo \u00e9 que se diz?\u201d Tal e qual como uma crian\u00e7a que quer aprender a falar. Tamb\u00e9m eu era uma crian\u00e7a que queria aprender a falar! E nesta fase queria aprender a falar para poder ensinar. Porque esta tarefa de educar e de ensinar sobre o mundo compete-nos a n\u00f3s, pais e a n\u00f3s, fam\u00edlias, e \u00e9 uma alegria para mim, a maior da vida, poder cumprir este papel. Ent\u00e3o a urg\u00eancia de aprender e de n\u00e3o deixar a tarefa entregue a terceiros fez com que come\u00e7\u00e1ssemos este caminho o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi um caminho muito bonito porque, de facto, al\u00e9m da tal dimens\u00e3o lingu\u00edstica, veio a dimens\u00e3o humana. Da mesma forma que n\u00f3s nos abrimos \u00e0 Comunidade Surda, tivemos uma abertura incr\u00edvel desta Comunidade que hoje \u00e9 tamb\u00e9m a minha. Em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s e \u00e0 nossa fam\u00edlia, fez-se casa. Estabeleceram-se rela\u00e7\u00f5es muito, muito profundas. A minha primeira professora de L\u00edngua Gestual Portuguesa tornou-se a madrinha do meu filho. Surgiram modelos lingu\u00edsticos, culturais, humanos, n\u00e3o s\u00f3 para o meu filho, mas para toda a fam\u00edlia, porque de facto uma crian\u00e7a Surda n\u00e3o tem de viver dividida entre dois mundos, entre o mundo dos Surdos e o mundo dos ouvintes. Eu s\u00f3 conhe\u00e7o um mundo, o mundo das pessoas. As pessoas t\u00eam de estar juntas e a Comunidade Surda constitui-se n\u00e3o s\u00f3 das pessoas Surdas, mas de todas as pessoas ligadas a elas, de todos os que utilizam as m\u00e3os para falar. A Comunidade Surda \u00e9 feita de Surdos e de ouvintes, fam\u00edlias, professores, amigos, de todo um entrela\u00e7ar de seres humanos. E isto sim, trouxe-me a resposta e, por outro lado, o al\u00edvio dos meus anseios.<\/p>\n\n\n\n<p>Tive uma quest\u00e3o, neste paradigma de Surdidade, conceito conhecido pela Comunidade Surda, mas n\u00e3o s\u00f3 a portuguesa, \u00e9 um conceito internacional. A Surdidade tem a ver com a surdez vista do ponto de vista da identidade, da cultura e todo este paradigma de Surdidade envolveu-me tanto. E segui o caminho com uma naturalidade que meses antes n\u00e3o esperava ser capaz de conseguir. Enfrentar, caminhar, resolver. Mas tive uma surpresa quando comecei a frequentar as aulas de LGP. Esperava encontrar, \u00e0 semelhan\u00e7a de n\u00f3s, outros pais e m\u00e3es, pessoas na mesma situa\u00e7\u00e3o, uma rede de partilha que n\u00e3o encontrei. Eram muito poucos e foram muito poucos ao longo de todos estes anos, os pais e m\u00e3es que encontrei formalmente a aprender L\u00edngua Gestual Portuguesa e se sim, dentro de iniciativas de escolas de refer\u00eancia, em pequenas forma\u00e7\u00f5es, mas de um ponto de vista formal e integrado na Comunidade Surda, de facto, nunca encontrei muitas fam\u00edlias ao longo dos anos. Tenho vindo a perceber que isto acontece por influ\u00eancia do modelo m\u00e9dico. Aqui gostava de deixar um apontamento. Como \u00e9 \u00f3bvio, \u00e9 uma parte que n\u00e3o podemos de todo descurar, esta quest\u00e3o da reabilita\u00e7\u00e3o, para quem queira chamar-lhe assim, uma vez que n\u00e3o vejo um ser humano como alvo de reabilita\u00e7\u00e3o. Mas esta quest\u00e3o da reabilita\u00e7\u00e3o auditiva e das escolhas entre aparelhos auditivos, implantes cocleares, exames, audiogramas, de facto, h\u00e1 toda essa quest\u00e3o que n\u00e3o pode ser descurada. Mas uma coisa \u00e9 certa, independentemente da escolha que todos n\u00f3s vamos tomar, sempre pelo melhor para os nossos filhos, a imers\u00e3o lingu\u00edstica, a aquisi\u00e7\u00e3o precoce da L\u00edngua Gestual Portuguesa \u00e9 important\u00edssima, sob pena de se criar aqui um atraso enorme nos primeiros anos, quando n\u00e3o \u00e9 oferecida \u00e0 crian\u00e7a Surda o acesso total \u00e0 l\u00edngua gestual. N\u00e3o pode ser exclusivamente feita pelos pais, mas tem de ser feita pelos pais, rodeados de uma s\u00e9rie de outros atores, os professores surdos, etc. Nunca foi poss\u00edvel uma s\u00f3 pessoa educar uma crian\u00e7a, j\u00e1 dizia o prov\u00e9rbio africano: \u201c\u00c9 preciso toda uma aldeia para educar uma crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem de haver necessariamente uma aquisi\u00e7\u00e3o precoce da L\u00edngua Gestual Portuguesa, porque n\u00f3s, seres humanos, s\u00f3 somos humanos pela nossa dimens\u00e3o comunicacional, s\u00f3 somos humanos porque comunicamos com outros humanos. Ent\u00e3o, quando n\u00e3o h\u00e1 esta aquisi\u00e7\u00e3o precoce, e tenho visto isto infelizmente a acontecer, em muitos casos, n\u00e3o h\u00e1 um correto desenvolvimento cognitivo, emocional e afetivo. Ao passo que, se a aquisi\u00e7\u00e3o da L\u00edngua for natural e desde sempre estiver a acontecer no seio familiar e em todos os v\u00e1rios microssistemas que comp\u00f5em a vida da crian\u00e7a, o desenvolvimento de uma crian\u00e7a Surda \u00e9 absolutamente normal, igual a todos os seus pares. Uma crian\u00e7a Surda \u00e9 uma crian\u00e7a que, fundamentalmente, nasce \u201cestrangeira\u201d no seu pr\u00f3prio pa\u00eds e s\u00f3 deixa de o ser se estiver rodeada de um n\u00facleo de pessoas e de realidades que comunicam consigo. Ent\u00e3o, \u00e9 muito importante e este \u00e9 o meu apelo enquanto m\u00e3e: independentemente da escolha que se fa\u00e7a a n\u00edvel m\u00e9dico, n\u00e3o deixar que essa influ\u00eancia fa\u00e7a com que nos afastemos da L\u00edngua Gestual Portuguesa, o que incrivelmente ainda \u00e9 um conselho. Em Portugal, ainda temos muitos m\u00e9dicos \u201cpresos\u201d a este paradigma antigo que a maioria dos pa\u00edses europeus abandonou h\u00e1 d\u00e9cadas, de que a aprendizagem da l\u00edngua gestual vai atrasar a oralidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A oralidade ser\u00e1 ou n\u00e3o poss\u00edvel, e isso vai ser trabalhado paralelamente, ao longo dos anos. Contudo, a oralidade dificilmente ser\u00e1 bem atingida se n\u00e3o existir uma primeira l\u00edngua estruturada. Se eu n\u00e3o tiver os conceitos sobre hoje, ontem ou amanh\u00e3, ou quem \u00e9, o que \u00e9, se a compreens\u00e3o dos conceitos n\u00e3o estiver muito bem integrada em mim, como vou adquirir uma segunda l\u00edngua? Porque a primeira l\u00edngua nativa de qualquer crian\u00e7a Surda \u00e9 e sempre ser\u00e1 a l\u00edngua gestual. Que deixe de lhes ser negado este direito, que cada vez mais seja salvaguardado pelas suas fam\u00edlias e que este caminho n\u00e3o se fa\u00e7a sozinho, porque os nossos filhos n\u00e3o nasceram para estar nem para aprender sozinhos. Temos de aprender juntos e o bilinguismo familiar \u00e9 das coisas mais bonitas que existem. Contar hist\u00f3rias, enquanto lemos, falamos e fazemos gesto; cantar m\u00fasicas em gesto; as nossas conversas \u00e0 mesa em que a par das nossas bocas, as m\u00e3os disparam a falar. \u00c9 t\u00e3o bonita e t\u00e3o enriquecedora esta realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os desafios continuam. Pela nossa experi\u00eancia, o que n\u00f3s viemos a entender, como fam\u00edlia, \u00e9 que o maior desafio de ter um filho surdo n\u00e3o est\u00e1 em educ\u00e1-lo em si, mas a maior parte dos desafios encontram-se no exterior. Encontram-se, numa sociedade em que ainda existem muitas barreiras, em que ainda existem muitas costas viradas para as realidades diversas. Estes s\u00e3o os maiores desafios de educar uma crian\u00e7a Surda. S\u00e3o os desafios que encontramos \u00e0 nossa volta e \u00e9 o transpor destas barreiras que nos cabe a n\u00f3s enquanto respons\u00e1veis, na maior das vontades.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma crian\u00e7a Surda, como qualquer crian\u00e7a, vai para a escola. A escola desempenha para a crian\u00e7a Surda um papel fundamental, porque \u00e9 aqui que vai encontrar os seus pares, as crian\u00e7as da sua idade que t\u00eam, \u00e0 sua semelhan\u00e7a, esta quest\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, esta quest\u00e3o de uma identidade pr\u00f3pria distinta dos demais, professores que servem de modelos e que s\u00e3o important\u00edssimos no desenvolvimento e no crescimento das crian\u00e7as. E temos realmente em Portugal uma rede de escolas de refer\u00eancia. A n\u00edvel pessoal, na nossa experi\u00eancia e no nosso caminho, encontr\u00e1mos aqui v\u00e1rias quest\u00f5es e v\u00e1rios problemas que fomos tendo de trabalhar ao longo dos anos. O Tiago esteve em duas escolas de refer\u00eancia e sempre que encontr\u00e1mos uma solu\u00e7\u00e3o, volt\u00e1mos a encontrar um novo desafio. Na primeira escola, a primeira solu\u00e7\u00e3o constituiu-se, encontr\u00e1mos aqui fam\u00edlias, crian\u00e7as, pares. Mas, de facto, depar\u00e1mo-nos com quest\u00f5es que nos fizeram sempre querer mais e melhor. Numa primeira fase, a nossa preocupa\u00e7\u00e3o prendeu-se com a falta de gesto em sala de aula. Numa idade muito cr\u00edtica da aquisi\u00e7\u00e3o do gesto e da comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o encontr\u00e1mos a melhor situa\u00e7\u00e3o em termos de imers\u00e3o lingu\u00edstica e de respeito pela L\u00edngua Gestual Portuguesa, o que nos fez tentar procurar respostas, querer defender direitos. Acab\u00e1mos por seguir para uma segunda escola de refer\u00eancia, onde a\u00ed sim, tivemos a resposta a estas necessidades, em termos de evolu\u00e7\u00e3o e de crescimento gestual, ainda numa fase muito precoce da inf\u00e2ncia, na pr\u00e9-escolar. Aqui, sim, pudemos encontrar estas respostas, mas depois veio o pr\u00f3ximo desafio, veio a quest\u00e3o da literacia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um dado que em Portugal a maioria dos nossos alunos surdos acabam a sua escolaridade com um baixo n\u00edvel de literacia, em termos de leitura e de escrita. A causa deste acontecimento \u00e9 atribu\u00edda \u00e0s caracter\u00edsticas dos alunos, mas de facto, n\u00f3s sempre muito atentos, apercebemo-nos que assim n\u00e3o \u00e9. Este baixo n\u00edvel de literacia est\u00e1 relacionado com a quest\u00e3o anteriormente falada, uma imers\u00e3o lingu\u00edstica tardia ou inexistente na L\u00edngua Gestual Portuguesa, fazendo com que a passagem para uma segunda l\u00edngua seja imposs\u00edvel, porque n\u00e3o existe uma primeira bem consolidada. E depois, tem muito, muito a ver com as pr\u00e1ticas de ensino, com estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas e metodologias de ensino. A forma como uma crian\u00e7a Surda aprende a ler e escrever \u00e9 completamente diferente da forma como uma crian\u00e7a ouvinte o faz, isto \u00e9 inerente e f\u00e1cil de entender. E n\u00e3o vejo, na minha perspetiva pessoal, estes m\u00e9todos assim t\u00e3o bem desenvolvidos, salvaguardados, investigados e aplicados. O que fez com que novamente cheg\u00e1ssemos a uma fase de escolha e de decis\u00e3o familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Volt\u00e1mos a procurar e a informarmo-nos muito bem e descobrimos o ensino dom\u00e9stico.<\/p>\n\n\n\n<p>E fomos perceber o que \u00e9 e como fazer. Abriu-se novamente um mundo enorme, tendo sido desde sempre a maior prioridade da minha vida, a educa\u00e7\u00e3o de ambos os meus filhos. Olhando para o meu filho, na altura com sete anos, a fazer o seu primeiro ano e com muita vontade de aprender e muita curiosidade, um n\u00edvel cognitivo e um n\u00edvel lingu\u00edstico incr\u00edveis e a querer aprender, a minha decis\u00e3o pessoal firmou-se em dar resposta. O Tiago iniciou o seu percurso no ensino dom\u00e9stico e, como algu\u00e9m muito, muito especial me ensinou nesta fase da vida:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Homeschooling isn\u2019t just about classes, Homeschooling is a way of life<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi realmente um modo de vida maravilhoso que se iniciou nesta fase. Tivemos de fazer grandes adapta\u00e7\u00f5es em termos familiares e profissionais. Eu realmente disponibilizei o meu tempo na totalidade para a educa\u00e7\u00e3o do Tiago, a par de todas as quest\u00f5es inerentes a ter uma fam\u00edlia e \u00e0s necessidades desta. Comecei a estudar curr\u00edculos e de que forma \u00e9 que podia diferenciar estes curr\u00edculos, torn\u00e1-los mais significantes, aproveitar as curiosidades naturais do meu filho, as \u00e1reas em que sempre demonstrou mais aptid\u00f5es. Ele sempre adorou as Ci\u00eancias, descobrir o mundo, os animais, as plantas. \u00c9 muito engra\u00e7ado porque o Tiago tamb\u00e9m sempre teve uma curiosidade muito natural acerca da Hist\u00f3ria e da Geografia, saber onde e quando foi e, portanto, come\u00e7ou-se de uma forma transversal, com todas as disciplinas interligadas e num n\u00edvel sempre crescente de complexidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tiago acabou por fazer todo o primeiro ciclo em ensino dom\u00e9stico. Felizmente, temos o privil\u00e9gio de viver num s\u00edtio incr\u00edvel. Vivemos na Vila de Sintra, ent\u00e3o tivemos a melhor sala de aula do mundo para as nossas aulas. Fez-se toda uma escola em casa, uma divis\u00e3o da casa com biblioteca, imensos recursos pedag\u00f3gicos e educativos. E como sala de aula, tamb\u00e9m o exterior. Os nossos monumentos, as idas semanais a exposi\u00e7\u00f5es e museus, os nossos parques e a explora\u00e7\u00e3o no terreno das coisas concretas, das m\u00e3os na terra. Estes foram anos muito felizes de aprendizagem, em que realmente os resultados estiveram e est\u00e3o \u00e0 vista. O Tiago aprendeu imenso, com um n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o incr\u00edvel, sempre com a componente social tamb\u00e9m muito cuidada porque, no caso de uma crian\u00e7a em <em>homeschooling<\/em>, ou ensino dom\u00e9stico, esta componente social tem de ser intencional, portanto, sempre proporcionando muitos encontros com os amigos, com a Comunidade Surda, com as idas \u00e0 associa\u00e7\u00e3o. Foram anos muito bonitos do crescimento do meu filho e sou muito grata em poder ter tido condi\u00e7\u00f5es familiares, humanas e financeiras para poder acompanhar e para poder coordenar todo este processo que se tornou um modo de vida. Sobre diferencia\u00e7\u00e3o curricular e estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas falarei em maior profundidade num cap\u00edtulo pr\u00f3prio para o efeito, que terei muito gosto de produzir.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta fase da vida lembra-me sempre uma frase de Paulo Freire, sobre qu\u00e3o ricos s\u00e3o os processos de ensino quando, de facto, aprendemos ao ensinar e ensinamos ao aprender. Espelha esta reciprocidade em que o ensino dom\u00e9stico me fez crescer a par do meu filho, desde o n\u00edvel relacional a toda a abertura ao mundo. E foi um caminho muito bonito. Este caminho e esta experi\u00eancia no ensino dom\u00e9stico foi inclusive, aquilo que me fez sonhar mais alto e, do ponto de vista pessoal, motivou-me a come\u00e7ar a frequentar a licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o. Todos estes ganhos nas aprendizagens relacionados com o nosso percurso pessoal, a par do meu processo de estudo, comportaram aqui v\u00e1rias dimens\u00f5es que me fazem hoje querer continuar a atuar na \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o e, em especial, na Acessibilidade e na cria\u00e7\u00e3o de percursos significantes na Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E como todos os percursos que s\u00e3o significantes, h\u00e1 sempre alturas em que, devendo monitorizar constantemente o que estamos a fazer, devemos saber observar o caminho para podermos fazer escolhas ao longo deste. Foi nessa perspetiva que, ainda durante o primeiro ciclo do Tiago em ensino dom\u00e9stico, que culminou com a presta\u00e7\u00e3o de provas de equival\u00eancia \u00e0 frequ\u00eancia com notas fant\u00e1sticas em todas as disciplinas, um pouco antes disto, come\u00e7\u00e1mos a olhar para a frente e a pensar: \u201c<em>ent\u00e3o, e o que se segue?<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O Tiago tinha vontade de ir para a escola. O Tiago queria manter o melhor dos dois mundos: as aulas comigo, as aprendizagens, e, tamb\u00e9m frequentar a escola. Isto denota um amadurecimento e um crescimento muito saud\u00e1vel. Ent\u00e3o, vamos dar resposta a esta vontade. O Tiago nunca se definiu, apesar de ter uma identidade Surda muito, muito vincada, nunca se definiu enquanto surdo ou enquanto ouvinte. Palavras dele: \u201ceu sou uma pessoa e n\u00e3o importa se sou surdo ou ouvinte!\u201d. E como tal, quando teve vontade de reintegrar numa escola, sempre me pediu para ir para uma escola regular, normal\u00edssima, a escola da nossa \u00e1rea de resid\u00eancia, a escola onde a irm\u00e3 estuda e cresce, onde pode ter amigos, surdos ou ouvintes, n\u00e3o importa \u2013 Pessoas. \u201c<em>Quando eu voltar \u00e0 escola, quero ir para esta escola aqui ao p\u00e9 de casa. Mesmo que n\u00e3o haja l\u00e1 outros meninos surdos, \u00e9 isto que eu quero fazer!<\/em>\u201d E foi a este caminho que eu quis dar resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, tendo em conta o que implica uma efetiva Inclus\u00e3o e os passos concretos que a Acessibilidade requer, come\u00e7\u00e1mos a pensar no que fazer e, nasceu um novo projeto, gir\u00edssimo e delicioso, que foi o projeto do Clube de L\u00edngua Gestual Portuguesa. Ent\u00e3o, dois anos antes de o Tiago ir para a escola, come\u00e7\u00e1mos por conseguir proporcionar que acontecesse uma forma\u00e7\u00e3o de LGP para professores, extremamente recetivos a esta aprendizagem, o que foi algo que me confortou incrivelmente. E por outro lado, o que mais interessa em termos da Inclus\u00e3o na comunidade escolar? Os alunos, os pares, os amigos. Ent\u00e3o, inici\u00e1mos este projeto do Clube de LGP, come\u00e7\u00e1mos a dar aulas e o Tiago \u00e9 o professor dos futuros colegas, tamb\u00e9m de forma que a escola fosse progressivamente tornando-se conhecida, os seus recantos, as pessoas, os alunos, as brincadeiras. As idas \u00e0 escola come\u00e7aram a fazer parte tamb\u00e9m do nosso programa semanal. Foi muito engra\u00e7ado porque a recetividade dos alunos \u00e9 enorme, todas as crian\u00e7as e jovens aprendem L\u00edngua Gestual Portuguesa de uma maneira t\u00e3o leve e inata. Foi muito bonito ver tudo isto a come\u00e7ar a acontecer. E desde esta altura at\u00e9 hoje, em que o Tiago j\u00e1 est\u00e1 no sexto ano, o Clube de LGP \u00e9 um sucesso e tem imensos alunos a frequent\u00e1-lo, assim como professores e pessoal n\u00e3o docente. \u00c9 um projeto muito bonito que trouxe um enriquecimento enorme para toda a comunidade educativa, porque isto \u00e9 Acessibilidade. A Acessibilidade trabalha-se no sentido de que o que se torna acess\u00edvel a um, \u00e9 acess\u00edvel a todos e o que se torna bom e enriquecedor para um, \u00e9 um benef\u00edcio para todos. Assim, contemplando toda a diversidade existente dentro de uma comunidade educativa, trabalhar para o bem de alguns ser\u00e1 faz\u00ea-lo para o bem de todos tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, este projeto rapidamente come\u00e7ou a notar-se no ambiente escolar. Os professores que se cruzam nos intervalos e que se cumprimentam com um \u201cbom dia\u201d ou um \u201cboa tarde\u201d gestual, os alunos que nos espa\u00e7os exteriores est\u00e3o a treinar o alfabeto para poderem dizer algo aos colegas Surdos. Come\u00e7aram a ver-se estas sementes, aqui e ali, estas manifesta\u00e7\u00f5es de interesse e de comunica\u00e7\u00e3o, o que fez com que realmente, quando o Tiago foi para a escola, houvesse j\u00e1 todo um ambiente inclusivo. Foi muito recompensador ver esta constru\u00e7\u00e3o a acontecer, principalmente fruto da vontade do Tiago, do investimento pessoal dele, da sua determina\u00e7\u00e3o quando se comprometeu \u201c<em>eu quero ir para esta escola, o que \u00e9 que eu posso fazer para me integrar?<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente a este projeto e ao desenho de um percurso curricular diferenciado como uma medida efetiva de qualidade e de signific\u00e2ncia das aprendizagens, a prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via em termos de conhecimentos que o Tiago trazia do ensino dom\u00e9stico permitiu uma integra\u00e7\u00e3o perfeita em termos das aprendizagens em todas as disciplinas e com todos os professores. Importa aqui o papel de uma figura muito importante, a do Int\u00e9rprete de L\u00edngua Gestual Portuguesa que realmente serve de ve\u00edculo nas aulas entre os professores e os alunos Surdos. \u00c9 uma pessoa com uma dimens\u00e3o \u00e9tica e afetiva tamb\u00e9m, al\u00e9m da profissional e tivemos muita sorte mesmo com esta pessoa. Importa lembrar que, em termos de integra\u00e7\u00e3o emocional, no recreio n\u00e3o h\u00e1 int\u00e9rpretes, nos clubes de desporto tamb\u00e9m n\u00e3o, n\u00e3o tem de haver int\u00e9rprete na comunica\u00e7\u00e3o informal entre pares. Felizmente, pudemos ver o Tiago fazer este caminho de uma forma muito segura e n\u00e3o s\u00f3 beneficiado com estes processos de comunica\u00e7\u00e3o que se t\u00eam vindo progressivamente a instalar, mas porque temos a sorte de ele ter uma personalidade muito forte e confiante, com uma grande autoestima. O Tiago nunca se inibiu de chegar \u00e0s pessoas por ser Surdo ou por n\u00e3o conseguir falar com elas, de todo. O Tiago sempre quis comunicar com todos e quando n\u00e3o vai de uma forma, vai de outra, mas estando l\u00e1 a vontade concreta de comunicar, a comunica\u00e7\u00e3o d\u00e1-se. O mais belo de tudo \u00e9 ver essa abertura no Tiago e v\u00ea-lo efetivamente integrado numa escola que igualmente se abriu a ele, lembrando-nos que o mesmo tinha acontecido anos antes, entre n\u00f3s, fam\u00edlia, e a Comunidade Surda. Portanto, esta reciprocidade social que se cria quando h\u00e1 vontades \u00e9 essencial em qualquer projeto pedag\u00f3gico e educativo e mesmo, \u00e9 a dimens\u00e3o humanista da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 realmente neste exerc\u00edcio coletivo de vontades, exatamente por uma escola que se quis humanista e que se abriu a mais, que atualmente est\u00e1 em processo a cria\u00e7\u00e3o de uma EREBAS (Escola de Refer\u00eancia para o Ensino Bilingue de Alunos Surdos). Realmente, o Concelho de Sintra \u00e9 um concelho t\u00e3o grande e faz tanto sentido que exista um agrupamento de refer\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o bilingue, com tantos alunos surdos que aqui residem. Assim, esta escola que se quis mais, atualmente est\u00e1 a constituir-se como EREBAS e isto \u00e9 um grande sonho tornado realidade. \u00c9 realmente algo muito precioso, conseguirmos ajudar e contribuir para este impacto social que poder\u00e1 ser significante para tantos alunos Surdos de v\u00e1rias idades, que realmente possam ter no seu concelho uma escola dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade para todos e \u00e0 diversidade cultural sustentada na solidariedade e na dignidade de todos os alunos. Uma particularidade que este agrupamento de escolas tem \u00e9 uma dire\u00e7\u00e3o aberta a todos estes valores, a par do trabalho e dedica\u00e7\u00e3o de todos os docentes. E existe uma figura especial em todas as hist\u00f3rias, n\u00e3o \u00e9? Nesta escola sinto e atribuo um grande m\u00e9rito a uma professora de ensino especial, a professora Elisabete Machado que, de facto, foi quem articulou todo este processo de Inclus\u00e3o e o tornou t\u00e3o abrangente, interligando os v\u00e1rios atores e vontades desta comunidade. A constitui\u00e7\u00e3o de uma EREBAS no Concelho de Sintra \u00e9 realmente algo que me faz olhar para a Educa\u00e7\u00e3o com muito gosto, com muita esperan\u00e7a nos valores que a representam e no seu des\u00edgnio.<\/p>\n\n\n\n<p>E em jeitos de conclus\u00e3o, todo este caminho que se tem feito e que se vai continuar a fazer, fruto de muito amor, de muita dedica\u00e7\u00e3o, de muita alegria, \u00e9 um caminho que se fez, por um lado, com toda a naturalidade, mas por outro lado, com a supera\u00e7\u00e3o de muitos desafios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um caminho que espero que todos n\u00f3s, m\u00e3es e pais de crian\u00e7as Surdas, fa\u00e7amos cada vez mais juntos, com mais partilhas de ideias, de d\u00favidas e de anseios, mas essencialmente tamb\u00e9m com uma grande dose de criatividade e de for\u00e7a, porque as dimens\u00f5es que se abrem s\u00e3o imensas e devem ser encaradas numa perspetiva positiva como toda a vida deve ser vista para realmente ser vivida. Hoje olho para o meu filho e vejo n\u00e3o s\u00f3 o resultado mensur\u00e1vel das notas e do seu aproveitamento escolar, mas vejo muito mais do que isso. Vejo um ser humano que me d\u00e1 muito e que tem, sem d\u00favida alguma, muito a dar ao mundo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Implementa\u00e7\u00e3o de um percurso curricular diferenciado<\/h3>\n\n\n\n<p>Elisabete Machado Docente de Educa\u00e7\u00e3o Especial dos grupos 910 (cogni\u00e7\u00e3o e multidefici\u00eancia) e 920 (surdez)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Era uma vez\u2026 uma M\u00e3e<\/strong>, m\u00e3e de dois filhos, a Sarah e o Tiago. A Sarah vinha para o 5.\u00ba ano, para a escola do 2.\u00ba ciclo. Dia de apresenta\u00e7\u00e3o na Biblioteca. Encontr\u00e1mo-nos! Havia mais um filho, surdo profundo, estava em modalidade de ensino dom\u00e9stico, o concelho de Sintra n\u00e3o tem escolas preparadas para o ensino de alunos surdos!! O Tiago gostaria de recome\u00e7ar a frequ\u00eancia de uma escola, quando come\u00e7asse o 2.\u00ba ciclo (faltavam dois anos) \u2026 convers\u00e1mos e compreendemo-nos, envi\u00e1mos e-mails e convers\u00e1mos de novo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Era uma vez\u2026 uma Fam\u00edlia<\/strong>, fam\u00edlia din\u00e2mica, ativa, preocupada e interessada na educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos. J\u00e1 tinham criado um canal de Youtube para a divulga\u00e7\u00e3o e ensino da L\u00edngua Gestual Portuguesa (LGP)!! Convers\u00e1mos e compreendemo-nos, refletimos formas de come\u00e7ar a preparar a vinda do Tiago para a nossa escola, e convers\u00e1mos de novo\u2026 e as ideias a surgir e a pandemia a chegar\u2026!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adaptam-se as ideias<\/strong>, avan\u00e7a o Clube de L\u00edngua Gestual Portuguesa, o Tiago \u00e9 o nosso professor, quer ensinar a sua L\u00edngua a todas as pessoas!! A m\u00e3e e a irm\u00e3 s\u00e3o as int\u00e9rpretes e professoras coadjuvantes. N\u00e3o se pode ir \u00e0 escola? Criamos o Clube atrav\u00e9s da plataforma Teams, quando pudermos, voltamos \u00e0 escola. (Aqui entre n\u00f3s, este Clube foi pensado para ter uma dura\u00e7\u00e3o de seis meses e j\u00e1 existe h\u00e1 quatro anos\u2026! E este ano, 2022\/2023, j\u00e1 existem cinco grupos em diferentes hor\u00e1rios.)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pedem-se colabora\u00e7\u00f5es<\/strong>, a Associa\u00e7\u00e3o de Fam\u00edlias e Amigos dos Surdos (AFAS), por interm\u00e9dio da m\u00e3e Susana, ofereceu uma a\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o em LGP a docentes e n\u00e3o docentes da escola. Com a perspetiva da vinda do Tiago, muitos foram os que quiseram aprender esta L\u00edngua de forma a reduzir as dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o que poderiam advir. Mais tarde oficializaram-se estas a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do Centro de Forma\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Escolas de Sintra (CFAES).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pedem-se recursos essenciais<\/strong>, o Int\u00e9rprete de L\u00edngua Gestual Portuguesa (ILGP), elemento essencial \u00e0 presen\u00e7a do Tiago na nossa escola, \u00e9 pedido, mas n\u00e3o \u00e9 cedido. N\u00e3o somos <em>escola de refer\u00eancia<\/em> e s\u00f3 temos <strong><em>um<\/em><\/strong> aluno surdo!! N\u00e3o pode ser, n\u00e3o podemos aceitar!! \u00c9 UM, mas \u00e9 aluno da \u00e1rea de resid\u00eancia do nosso agrupamento, somos ou n\u00e3o somos <strong>Escola Inclusiva??<\/strong> O Conselho Pedag\u00f3gico do Agrupamento foi sens\u00edvel \u00e0 situa\u00e7\u00e3o e canalizou doze horas de cr\u00e9dito hor\u00e1rio do Agrupamento para a contrata\u00e7\u00e3o destas horas de hor\u00e1rio de ILGP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Avalia-se <\/strong>a situa\u00e7\u00e3o\u2026 <strong><em>temos<\/em><\/strong><em>:<\/em> doze horas de ILGP; uma professora de Educa\u00e7\u00e3o Especial com dupla forma\u00e7\u00e3o (grupos 910 e 920), mas que n\u00e3o trabalha com alunos surdos h\u00e1 mais de vinte anos; uma fam\u00edlia cheia de vontade de colaborar, mas que obviamente quer a melhor educa\u00e7\u00e3o para os seus filhos; muito \u201cboa vontade\u201d de ambas as partes, mas\u2026 <strong><em>n\u00e3o temos<\/em><\/strong><em>: <\/em>ILGP a tempo inteiro; professor de LGP; professor de Portugu\u00eas L\u00edngua Segunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante a proposta da escola, de implementa\u00e7\u00e3o de um Percurso Curricular Diferenciado, elaborado com o contributo e a participa\u00e7\u00e3o de todos, a fam\u00edlia decide avan\u00e7ar para a matr\u00edcula do Tiago no 5.\u00ba ano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entende-se que,<\/strong> este<strong> Percurso Curricular Diferenciado<\/strong> pode, atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o da diferencia\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, das acomoda\u00e7\u00f5es curriculares, e de uma oferta curricular diversificada e&nbsp;adequada \u00e0s necessidades espec\u00edficas deste aluno, evitar dificuldades de aprendizagem e de inclus\u00e3o plena na comunidade educativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenta cumprir alguns dos princ\u00edpios orientadores da Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva, mais especificamente os princ\u00edpios da Flexibilidade e da Personaliza\u00e7\u00e3o, prev\u00ea a \u201cgest\u00e3o flex\u00edvel do curr\u00edculo, dos espa\u00e7os e dos tempos escolares, de modo que a a\u00e7\u00e3o educativa nos seus m\u00e9todos e tempos, instrumentos e atividades, possa responder \u00e0s especificidades de cada um\u201d, para al\u00e9m de cumprir com um \u201cplaneamento educativo centrado no aluno, de modo que as medidas sejam decididas casuisticamente de acordo com as suas necessidades, potencialidades, interesses e prefer\u00eancias, atrav\u00e9s de uma abordagem multin\u00edvel\u201d (DL 54, in Princ\u00edpios da Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva, al\u00edneas e) e d) respetivamente). Cumpre ainda o conceito entendido como Percurso Curricular Diferenciado no DL 54\/2018, uma vez que se materializa numa \u201coferta que a escola disponibiliza, de forma a promover a equidade e a igualdade de oportunidades na resposta \u00e0s necessidades educativas de cada aluno, ao longo da escolaridade obrigat\u00f3ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Avan\u00e7a-se<\/strong> com a seguinte organiza\u00e7\u00e3o para um primeiro ano do Tiago na escola: a primeira L\u00edngua do aluno, a LGP, \u00e9 desenvolvida por formador da comunidade surda em contexto extraescolar; o Ingl\u00eas, que&nbsp; surge no ensino bilingue como L\u00edngua 3, sendo normalmente parte da matriz curricular apenas no 3.\u00ba ciclo, integra-se no curr\u00edculo do 2.\u00ba ciclo, em substitui\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Musical, por ser de maior utilidade ao aluno, dado o seu perfil de funcionalidade; as disciplinas para as quais n\u00e3o existem horas de ILGP, s\u00e3o frequentadas em regime de Trabalho Aut\u00f3nomo, atrav\u00e9s de uma parceria entre a Encarregada de Educa\u00e7\u00e3o do aluno e o(a) professor(a) titular da disciplina; a Encarregada de Educa\u00e7\u00e3o faz o acompanhamento e orienta\u00e7\u00e3o do seu educando, na aprendizagem dos conte\u00fados previamente acordados com o(a) professor(a) titular de cada uma destas disciplinas; a avalia\u00e7\u00e3o das mesmas ser\u00e1 concretizada da forma acordada entre os parceiros, podendo ser feita de forma presencial, ou atrav\u00e9s de trabalho aut\u00f3nomo por metodologia de portef\u00f3lio, por exemplo; o espa\u00e7o em que a leciona\u00e7\u00e3o destas disciplinas decorre ser\u00e1 adequado \u00e0 situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, podendo ocorrer no domic\u00edlio do aluno.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cresce-se\u2026 <\/strong>e vai-se continuando a crescer\u2026 a comunidade educativa demonstrou vontade de aprender e tent\u00e1mos corresponder\u2026 de novo, <strong>a Escola e a Fam\u00edlia<\/strong>, parceiros e aliados no longo caminho a percorrer!! No entanto, quando olhamos para tr\u00e1s, j\u00e1 vemos algum caminho percorrido: a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o em LGP; forma\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 surdez, ministrada ao pessoal n\u00e3o docente por docentes de Educa\u00e7\u00e3o Especial; v\u00eddeo sobre Surdez elaborado por docentes de Educa\u00e7\u00e3o Especial e passado nas aulas de Cidadania de todas as turmas da escola; atividades de v\u00e1rias turmas inclu\u00eddas no Projeto Cultural de Escola tais como, declama\u00e7\u00e3o de poesia em LGP, can\u00e7\u00f5es com interpreta\u00e7\u00e3o em LGP; testemunho do Tiago e da sua fam\u00edlia sobre algumas das especificidades que a surdez trouxe \u00e0s suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Descobre-se\u2026 <\/strong>que a LGP ajuda os alunos com Dislexia a melhorar a sua ortografia!!&#8230; que a LGP funciona como ponte entre os alunos portugueses do Clube de LGP e os alunos falantes de outras l\u00ednguas\u2026 que a aluna refugiada da guerra da Ucr\u00e2nia sentiu conforto em ficar na turma do Tiago, turma onde os alunos usavam mais o gesto para falar e comunicar entre eles!!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Percorre-se\u2026<\/strong> um caminho que n\u00e3o tem fim, cujo objetivo \u00e9 o percurso em si mesmo, \u00e9 continuar a percorrer o caminho adaptando, adequando, revolucionando tudo o que for necess\u00e1rio de modo a permitir o sucesso educativo de cada aluno, sorvendo toda a riqueza com que cada um deles, cada fam\u00edlia, na sua especificidade, nos presenteia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Espera-se\u2026<\/strong> que o sistema educativo, nos permita dar a melhor resposta \u00e0s necessidades de cada um dos nossos alunos. Tal como o percurso, a resposta \u00e0s necessidades deve ser dada a cada momento. Nesta situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica aqui partilhada, a resposta tem vindo a ser constru\u00edda, ano a ano, mas a escassez de recursos humanos atribu\u00eddos condiciona a qualidade do trabalho realizado. Este tem sido um dos maiores obst\u00e1culos a ultrapassar\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Continua-se\u2026<\/strong> juntos, de novo, a <strong>Escola e a Fam\u00edlia<\/strong>, a lutar contra os obst\u00e1culos, a pedir recursos, a escrever e-mails\u2026 mas, principalmente, a conversar, a compreender, a sentir, a dar e a receber\u2026 tanto, tanto.<br><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-4\/\">Anterior<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-2 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/indice\/\">\u00cdndice<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-right is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-3 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-6\/\">Seguinte<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cap\u00edtulo 5 &#8211; Tiago, m\u00e3os que falam &#8211; cora\u00e7\u00e3o que sente Autores: Susana Maur\u00edcio e Elisabete Machado Palavras-chave: 2.\u00ba ciclo de ensino b\u00e1sico, estrat\u00e9gias familiares, l\u00edngua gestual, surdez Cita\u00e7\u00e3o: Maur\u00edcio, S. &amp; Machado, E. (2023). Tiago, m\u00e3os que falam \u2013 cora\u00e7\u00e3o que sente. In M. Francisco, C. Tom\u00e1s &amp; S. Malheiro (Orgs.). 12 hist\u00f3rias educacionais: [&hellip;]","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2176","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2176"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2272,"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2176\/revisions\/2272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}