{"id":2178,"date":"2024-01-25T22:08:03","date_gmt":"2024-01-25T22:08:03","guid":{"rendered":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/?page_id=2178"},"modified":"2024-01-26T22:13:34","modified_gmt":"2024-01-26T22:13:34","slug":"capitulo-6","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-6\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 6"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Cap\u00edtulo 6 &#8211; O ensino dom\u00e9stico de um aluno Surdo<\/h1>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Autor<\/strong>: Susana Maur\u00edcio<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave: <\/strong>ensino dom\u00e9stico, surdez, criatividade<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cita\u00e7\u00e3o:<\/strong> Maur\u00edcio, S. (2023). O ensino dom\u00e9stico de um aluno surdo. In M. Francisco, C. Tom\u00e1s &amp; S. Malheiro (Orgs.). <em>12 hist\u00f3rias educacionais: Ser diferente na diversidade. Pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas em contextos pouco vis\u00edveis<\/em>. [Online]. LEAD, Universidade Aberta.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>A Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato de amor e de coragem. Quem ensina, aprende ao ensinar. E quem aprende, ensina ao aprender<\/em>.<\/p>\n<cite>Paulo Freire<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Resumo<\/h3>\n\n\n\n<p>O ensino dom\u00e9stico (do ingl\u00eas <em>homeschooling<\/em>) refere-se a uma via educacional desenvolvida no domic\u00edlio do aluno, por escolha familiar. A responsabilidade pedag\u00f3gica pela estrutura\u00e7\u00e3o e desenvolvimento deste processo de aprendizagem \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 fam\u00edlia, por norma a um dos pais da crian\u00e7a. Esta via educativa extraescolar garante a liberdade de escolha das fam\u00edlias quanto \u00e0 qualidade do ensino e de todas as estrat\u00e9gias e metodologias inerentes \u00e0 sua constru\u00e7\u00e3o, no sentido da sua signific\u00e2ncia, tendo em considera\u00e7\u00e3o uma alternativa \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o escolar e \u00e0s suas pr\u00e1ticas. Exige um total compromisso e uma dedica\u00e7\u00e3o constante quanto ao desenvolvimento das compet\u00eancias cognitivas, s\u00f3cio-afetivas e psicomotoras do aluno e \u00e9 um processo muito profundo e gratificante, vivido em fam\u00edlia. Este cap\u00edtulo pretende-se um roteiro simples e abrangente do desenvolvimento do percurso educativo em ensino dom\u00e9stico ao longo do 1\u00ba ciclo de escolaridade do meu filho Tiago, Surdo, cuja l\u00edngua materna \u00e9 a L\u00edngua Gestual Portuguesa (LGP).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O ensino dom\u00e9stico<\/h3>\n\n\n\n<p>O ensino dom\u00e9stico (ED), regulamentado em Portugal pelo Decreto-Lei N.\u00ba 70\/2021, constitui uma via educativa v\u00e1lida e estruturada que visa dar resposta ao desenvolvimento do processo educativo do aluno fora do contexto escolar, em estreita conformidade com os princ\u00edpios, valores e \u00e1reas de compet\u00eancia do Perfil dos Alunos \u00e0 Sa\u00edda da Escolaridade Obrigat\u00f3ria. Este processo, em que a fam\u00edlia pretende assumir uma maior responsabilidade na educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos, representa uma garantia da liberdade de escolha dos pais e dos alunos, adequando-se a uma maior flexibilidade do ensino, bem como ao ritmo de desenvolvimento das aprendizagens e sua signific\u00e2ncia. Desta forma, o percurso formativo decorre no domic\u00edlio do aluno e \u00e9 desenvolvido por um familiar, normalmente os pais, que se responsabilizam pelo ensino tendo como refer\u00eancia as aprendizagens essenciais associadas ao ciclo de escolaridade do seu filho. No final do ciclo que frequentam, os alunos de ensino dom\u00e9stico prestam provas de equival\u00eancia \u00e0 frequ\u00eancia no estabelecimento de ensino em que estejam inscritos para o efeito, no sentido da avalia\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o formal das aprendizagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o ED corresponde a um amplo e crescente movimento social de fam\u00edlias que veem a educa\u00e7\u00e3o dos filhos como um direito seu, e n\u00e3o simplesmente como um dever a cumprir. As justifica\u00e7\u00f5es familiares sobre esta escolha s\u00e3o m\u00faltiplas, desde a itiner\u00e2ncia ou mobilidade das fam\u00edlias, \u00e0s caracter\u00edsticas individuais dos alunos, que nem sempre t\u00eam o que os pais consideram ser as melhores respostas no contexto da educa\u00e7\u00e3o escolar. A grande maioria das fam\u00edlias que optam por domiciliar o ensino dos seus filhos sentem a necessidade de salvaguardar os direitos destes no acesso a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, atrav\u00e9s de caminhos que n\u00e3o s\u00e3o lineares, mas pautados por todo um conjunto de fatores que tornam cada processo de aprendizagem \u00fanico, singular. Por vezes, h\u00e1 fam\u00edlias que discordam com o desenvolvimento curricular das escolas p\u00fablicas, outras vezes, simplesmente sentem que devem dedicar-se elas mesmas \u00e0 viv\u00eancia deste processo de desenvolvimento pessoal, do crescimento dos seus. Essencialmente, para refletirmos sobre o ensino dom\u00e9stico, n\u00e3o devemos partir de ju\u00edzos de valores formulados em perspetivas antag\u00f3nicas, ou seja, o que \u00e9 que est\u00e1 errado numa ou noutra modalidade de ensino, regular ou dom\u00e9stica. Podemos sim, observar no seu crescente a mudan\u00e7a da sociedade e dos seus paradigmas, da multiplicidade de escolhas e da heterogeneidade de seres humanos que a habitam e, neste olhar, contemplar o retorno de uma pr\u00e1tica t\u00e3o antiga como a Educa\u00e7\u00e3o em si mesma, permeada por todas as novidades contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O porqu\u00ea desta escolha familiar<\/h3>\n\n\n\n<p>Quando o Tiago frequentava o 1.\u00ba ano, ele pr\u00f3prio se mostrou insatisfeito com a realidade que vivia na escola. Queria aprender mais, queria aprender melhor. De facto, se n\u00e3o existem processos de aprendizagem lineares e se a homogeneiza\u00e7\u00e3o destes processos n\u00e3o atende na \u00edntegra as necessidades individuais de todos e de cada um dos alunos, no caso dos alunos Surdos esta quest\u00e3o v\u00ea-se acentuada por v\u00e1rios fatores.<\/p>\n\n\n\n<p>O desenvolvimento lingu\u00edstico das crian\u00e7as Surdas da mesma idade n\u00e3o est\u00e1 de todo nivelado, sendo que a grande maioria destas crian\u00e7as inicia o 1.\u00ba ciclo com dificuldades de compreens\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o lingu\u00edsticas causadas por uma aquisi\u00e7\u00e3o tardia e\/ou insuficiente da LGP. Com esta falta de imers\u00e3o lingu\u00edstica, existem quest\u00f5es que, se na fase pr\u00e9-escolar podem ainda estar latentes e n\u00e3o fazer anunciar os seus efeitos de forma t\u00e3o perent\u00f3ria, chegados ao 1.\u00ba ciclo estas consequ\u00eancias come\u00e7am a notar-se de forma mais \u00f3bvia. E notam-se n\u00e3o s\u00f3 na capacidade de aprender, mas tamb\u00e9m em termos de socializa\u00e7\u00e3o entre pares.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de querer aprender mais e melhor, o Tiago queria brincar na escola \u00e0 semelhan\u00e7a do que acontecia em casa com a irm\u00e3, imaginando, fazendo de conta, realizando no fundo aquele <em>role-playing<\/em> que as crian\u00e7as conseguem fazer de forma t\u00e3o inata e que tanto permite crescer e aprender enquanto brincam. No fundo, o que o Tiago sentia falta era de, nas brincadeiras escolares ver inclu\u00edda a oportunidade de experimentar e afirmar os seus conceitos subjetivos e conhecer os dos outros colegas. Novamente, conceitos subjetivos desenvolvem-se com base numa estrutura\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica correta e ampla que permita um desenvolvimento cognitivo saud\u00e1vel, algo que n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o garantido \u00e0 maioria das crian\u00e7as Surdas e com sorte, mais tarde se vem a desenvolver, mesmo que \u201cfora do tempo certo\u201d. Esta n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o das crian\u00e7as, mas reflete-se diretamente nelas. \u00c9 uma demonstra\u00e7\u00e3o do que a falta de dom\u00ednio da LGP pela maioria dos educadores e professores de Surdos provoca. E mais que tudo, as fam\u00edlias, sendo no seu seio que se desenvolvem as primeiras aprendizagens e um precioso papel de vincula\u00e7\u00e3o que se far\u00e1 sentir para o resto das suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia fulcral de as fam\u00edlias aprenderem LGP desde o in\u00edcio, desde a \u201cdescoberta\u201d, recai na forma como os seus filhos ir\u00e3o aprender a comunicar-se, mas tamb\u00e9m na forma como os pais ir\u00e3o saber exigir uma comunica\u00e7\u00e3o de qualidade na escola. A realidade da maioria destas fam\u00edlias n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, existem poucas escolas de refer\u00eancia para alunos Surdos e h\u00e1 crian\u00e7as e jovens que todos os dias fazem longas viagens em transportes escolares. Os pais t\u00eam muita esperan\u00e7a de que todo este esfor\u00e7o produza os seus efeitos, mas com o passar dos anos v\u00eam poucos \u201cresultados\u201d ao n\u00edvel da leitura e da escrita e, se n\u00e3o dominarem a LGP, nem chegar\u00e3o a poder atestar se existem resultados sobre os outros dom\u00ednios das aprendizagens. S\u00f3 podem, portanto, acreditar na escola e por norma, os discursos apontam para a falta de capacidade dos alunos para aprender, mas nunca para a falta de capacidade dos professores para ensinar ou para a sua falta de profici\u00eancia lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>No nosso caso, os motivos desta escolha foram indiciados pelo Tiago, e ap\u00f3s muita reflex\u00e3o nossa, deu-se in\u00edcio a todo um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o profissional e pessoal no sentido de poder proporcionar-lhe a educa\u00e7\u00e3o que lhe ach\u00e1mos merecida.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Desenvolvimento do Percurso<\/h3>\n\n\n\n<p>A escolha pelo ensino dom\u00e9stico n\u00e3o \u00e9, nem deve ser feita de \u00e2nimo leve. No sentido de oferecer aos nossos filhos um ED de qualidade e conseguir mant\u00ea-lo, existem v\u00e1rias quest\u00f5es a refletir al\u00e9m das pedag\u00f3gicas, como \u00e9 o caso da socializa\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 uma componente essencial do desenvolvimento saud\u00e1vel da crian\u00e7a e tem de ser tratada com toda a consci\u00eancia de tal, permitindo que as rela\u00e7\u00f5es interpessoais contribuam devidamente para um progressivo ganho da autorregula\u00e7\u00e3o, decisiva na capacidade da crian\u00e7a aprender a gerir os seus pr\u00f3prios pensamentos e emo\u00e7\u00f5es, assim como a forma como age no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, partir do pressuposto que a socializa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as s\u00f3 acontece na escola parece-me t\u00e3o estranho como supor que todas as crian\u00e7as que est\u00e3o na escola se sentem bem-adaptadas e se n\u00e3o est\u00e3o t\u00eam algum problema. A socializa\u00e7\u00e3o abrangente acontece na comunidade, nos passeios, nos encontros, em todos os atos naturais ou provocados em que nos relacionamos com quem est\u00e1 \u00e0 nossa volta, o que deixa adivinhar os efeitos positivos de uma socializa\u00e7\u00e3o bem cuidada ao longo do ED, muito menos limitada em tempo, espa\u00e7o e personagens que a crian\u00e7a n\u00e3o escolheu, mas aberta ao mundo e aos seus pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, embora a grande maioria dos pais que desenvolvem um processo de ED com os seus filhos n\u00e3o tenha estudado para ser professor, o facto de lhes oferecerem uma presen\u00e7a e disponibilidade consistentes, com respostas adequadas \u00e0s suas necessidades e interesses, permite \u00e0s crian\u00e7as sentirem-se seguras e valorizadas, num ambiente feliz e rico em experi\u00eancias significantes. Volto a dizer, quem envereda por este caminho n\u00e3o tem uma vida mais f\u00e1cil. N\u00e3o sei se quando se imagina o dia-a-dia de uma fam\u00edlia em ED surgem apenas imagens id\u00edlicas de piqueniques no campo e de pinturas em papel de cen\u00e1rio. A quest\u00e3o \u00e9, sim, h\u00e1 imensos piqueniques, passeios, quadros, telas, pap\u00e9is, pinc\u00e9is, folhas e flores, felizmente! H\u00e1 tamb\u00e9m muito planeamento, muitas horas passadas em pesquisa e a criar materiais e recursos pedag\u00f3gicos, muitos desafios pelo caminho, muita dedica\u00e7\u00e3o encaminhada para quem \u00e9 mais importante para n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 em prol da liberdade pedag\u00f3gica, em prol da signific\u00e2ncia de m\u00e9todos e de conceitos, que devemos construir ano a ano, o percurso de ED. Sabemos que nas escolas a classifica\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o em dados mensur\u00e1veis nem sempre vai ao encontro do sucesso da aprendizagem, mas sim de uma forma de a validar formalmente, de a comprovar. Nesta perspetiva, aprender para o teste e depois esquecer \u00e9 a forma mais corrente de pensar dos nossos alunos. Ano ap\u00f3s ano, aprofundam-se os mesmos temas e \u00e9 como se fossem novos, porque j\u00e1 nos esquecemos. Quanto do que aprendemos na escola fica de facto enraizado como \u201csaber\u201d e se torna operacionaliz\u00e1vel com outros saberes? Quanto do que aprendemos deu realmente gosto, prazer a aprender e se tornou um conhecimento trabalhado com capacidade cr\u00edtica e com tempo para pratic\u00e1-la? Muito pouco. Vivemos na \u00e9poca dos hor\u00e1rios, das avalia\u00e7\u00f5es, das corridas do curr\u00edculo, do consumo r\u00e1pido da informa\u00e7\u00e3o e do esquecimento, sem tempo para questionar, o que vai fazendo tamb\u00e9m desaparecer a vontade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por todos estes motivos, um grande objetivo no planeamento deste percurso educativo foi ultrapassar a tend\u00eancia da utilidade imediata do conhecimento, preservando a aprendizagem de longo termo, as quest\u00f5es de resposta aberta que levam \u00e0 reflex\u00e3o, apoiando a descoberta e a manuten\u00e7\u00e3o dos temas num car\u00e1cter de transversalidade interdisciplinar e de emprego em contextos pr\u00e1ticos e reais. O desenvolvimento da metacogni\u00e7\u00e3o foi um processo intencional, em que aprender a aprender constituiu a base para que os recursos internos que se foram criando pudessem realmente relacionar-se com os objetos externos da aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p>A par de todo este processo complexo, o desenvolvimento de uma segunda l\u00edngua, o portugu\u00eas escrito e lido, foi realizado de base e com muito sucesso, com m\u00e9todos e estrat\u00e9gias pr\u00f3prios. Para uma crian\u00e7a surda, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel estabelecer este processo de forma duradoura se, de facto, a consci\u00eancia de um uso metacognitivo das aprendizagens for cumprida de forma permanente, permitindo um desenvolvimento progressivo e enraizado de uma l\u00edngua que n\u00e3o se ouve, mas que se v\u00ea. A LGP foi claramente a l\u00edngua de ve\u00edculo de todas as disciplinas, n\u00e3o sendo o portugu\u00eas uma exce\u00e7\u00e3o, o que permitiu o entendimento amplo dos conceitos e a satisfa\u00e7\u00e3o de aprofundar sem limites os seus sentidos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas para as v\u00e1rias disciplinas<\/h3>\n\n\n\n<p>Tendo em vista proporcionar um caminho diversificado e explorat\u00f3rio de v\u00e1rios interesses e \u00e1reas disciplinares, o desenho curricular inerente ao processo de aprendizagem do Tiago foi criado com um conjunto de disciplinas, numa organiza\u00e7\u00e3o distinta da que \u00e9 implementada em contexto escolar. As aprendizagens essenciais e compet\u00eancias adquiridas pelo Tiago nos dom\u00ednios das diversas disciplinas que compuseram o nosso plano curricular foram desenvolvidas em conson\u00e2ncia com as respetivas \u00e1reas de compet\u00eancias definidas no Perfil dos Alunos \u00e0 Sa\u00edda da Escolaridade Obrigat\u00f3ria, num contexto bilingue \u2013 a LGP como primeira l\u00edngua e o portugu\u00eas escrito e lido como segunda l\u00edngua. Assim, foi criado um conjunto de disciplinas que passo a descrever.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Portugu\u00eas<\/h4>\n\n\n\n<p>A aprendizagem da L\u00edngua Portuguesa para uma crian\u00e7a Surda requer, naturalmente, m\u00e9todos e estrat\u00e9gias completamente distintas das utilizadas para crian\u00e7as ouvintes. Na escola, a disciplina chama-se Portugu\u00eas L\u00edngua Segunda (PL2) e tem um curr\u00edculo pr\u00f3prio. A meu ver, o contacto e aprendizagem de uma l\u00edngua deve ter um car\u00e1cter cont\u00ednuo e a disciplina tem de ter uma regularidade di\u00e1ria e a n\u00f3s, demorava nunca menos de duas horas, com pausas. Algumas das pr\u00e1ticas podem ser comuns \u00e0s utilizadas para o ensino do Portugu\u00eas &#8211; l\u00edngua n\u00e3o materna, mas ainda assim a melhor solu\u00e7\u00e3o \u00e9 criar de raiz um plano que implique a mobiliza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios fatores e compet\u00eancias articulados entre si. Uma boa aquisi\u00e7\u00e3o da leitura e da escrita \u00e9 poss\u00edvel, conforme o Tiago conseguiu faz\u00ea-lo, se tivermos em conta que \u00e9 obrigat\u00f3rio que a crian\u00e7a tenha um bom dom\u00ednio da sua primeira l\u00edngua \u2013 a LGP \u2013 e que o professor tem profici\u00eancia lingu\u00edstica nesta l\u00edngua para ensinar diretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeira an\u00e1lise, ao n\u00edvel do vocabul\u00e1rio, uma crian\u00e7a ouvinte consegue passar \u00e0 escrita as palavras que ouve desde sempre com uma naturalidade que \u00e0 crian\u00e7a Surda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. A crian\u00e7a Surda tem de, obrigatoriamente, memorizar todas as palavras que aprende e manter um contacto repetido com elas at\u00e9 as integrar por completo. Acontece mais rapidamente com a leitura, ao n\u00edvel do reconhecimento, do que com a escrita, ao n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o, constituindo processos mentais distintos. A pr\u00f3pria forma como uma crian\u00e7a Surda utiliza a mem\u00f3ria \u00e9 muito diferente. Ent\u00e3o, durante anos, para a aprendizagem do vocabul\u00e1rio, as nossas aulas de portugu\u00eas come\u00e7avam com as \u201cpalavrinhas\u201d. As palavras eram organizadas em duas listas, leitura e escrita. Nestas listas, as linhas de vocabul\u00e1rio estavam organizadas por cores. Estas cores funcionavam como um c\u00f3digo para um trabalho muito met\u00f3dico, em que se apontavam todas as palavras conhecidas pelo Tiago e a quantidade de vezes que as lia e escrevia com sucesso, ou n\u00e3o, eram apontadas. A progress\u00e3o das palavras pelas v\u00e1rias cores corresponde pois, a um c\u00f3digo assente numa metodologia de trabalho aplicada ao vocabul\u00e1rio adquirido. Diariamente, o Tiago escrevia todo o vocabul\u00e1rio presente numa lista, pedido a ditado, e lia todo o vocabul\u00e1rio da outra. As palavras novas devem ser primeiro introduzidas no contexto de frases e textos e o mais poss\u00edvel associadas a imagens, para plena compreens\u00e3o dos conceitos e sua aplica\u00e7\u00e3o, ao que depois s\u00e3o introduzidas na lista de ler. Posteriormente, v\u00e3o passar para a lista de escrever onde inicialmente s\u00e3o repetidas diariamente e \u00e0 medida que v\u00e3o sendo bem escritas progridem para as outras cores, cada vez com maior espa\u00e7amento entre escritas. Quando na pen\u00faltima fase de progress\u00e3o, as palavras s\u00f3 aparecem listadas de m\u00eas a m\u00eas, depois de dois em dois meses, estando nesta fase j\u00e1 completamente integradas pelo aluno, pelo que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o esquecidas. Claramente, continuam a ser aplicadas em leitura e escrita nos mais diversos contextos, em frases, textos e hist\u00f3rias. As que voltam a mostrar sinais de esquecimento, voltam a fazer o mesmo caminho anterior. Esta metodologia permite relembrar e treinar profundamente&nbsp;todo o vocabul\u00e1rio aprendido, para que a sua perce\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja moment\u00e2nea e rapidamente esquecida. Assim, todo o vocabul\u00e1rio aprendido pelo Tiago at\u00e9 hoje est\u00e1 bem integrado e \u00e9 funcional. Normalmente a lista de vocabul\u00e1rio \u00e9 superior na leitura, sendo que a escrita \u00e9 alvo de um trabalho mais detalhado, atrav\u00e9s da escrita da palavra, frases, divis\u00e3o sil\u00e1bica, associa\u00e7\u00e3o do artigo (feminino\/masculino) adequado, singulares e plurais e todos os aspetos inerentes \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o correta, incluindo a polissemia. As palavras s\u00e3o separadas na lista por classes gramaticais: substantivos, adjetivos, adv\u00e9rbios e verbos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra estrat\u00e9gia que foi fundamental e desenvolvida ao longo dos v\u00e1rios anos foi a atribui\u00e7\u00e3o de uma figura geom\u00e9trica e respetiva cor a cada classe de palavras. Por exemplo, os nomes s\u00e3o tri\u00e2ngulos pretos e os verbos s\u00e3o c\u00edrculos vermelhos. Foi sob este c\u00f3digo que trabalh\u00e1mos a observa\u00e7\u00e3o da estrutura fr\u00e1sica e a sua correta constru\u00e7\u00e3o, chamando a aten\u00e7\u00e3o para todos os seus componentes. \u00c9 mais simples para uma crian\u00e7a Surda lembrar que falta numa frase um \u201ctri\u00e2ngulo azul\u201d do que um determinado artigo definido ou indefinido, que n\u00e3o se usa em LGP. Ou seja, esta simb\u00f3lica visual permite dar valor \u00e0s distintas classes gramaticais e aplicar o seu uso. Quando se ensina uma palavra nova, podemos pensar se \u00e9 vermelha (um verbo) ou roxa (um adjetivo), como e quando se usam corretamente. Progressivamente, figuras passam s\u00f3 a cores e as cores passam a frases monocrom\u00e1ticas onde o aluno j\u00e1 distingue o papel de cada palavra. A nomenclatura formal s\u00f3 acontece depois. Importa ainda referir que a escrita di\u00e1ria de frases \u00e9 essencial, por c\u00f3pia, ditado, como resposta a exerc\u00edcios de compreens\u00e3o da leitura, composi\u00e7\u00e3o ou noutro qualquer contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem muitas outras estrat\u00e9gias espec\u00edficas que poderiam ser descritas, mas tentando criar mais tra\u00e7os gerais do que detalhar de forma t\u00e3o intensa, o que gostava de real\u00e7ar \u00e9 a import\u00e2ncia visual da l\u00edngua. Para a crian\u00e7a surda, o que \u00e9 memorizado \u00e9 a grafia, e nunca o som. O treino da ordem alfab\u00e9tica, a associa\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de imagens, a cria\u00e7\u00e3o de um dicion\u00e1rio ilustrado pelo aluno, o treino da caligrafia que em simult\u00e2neo provoca a escrita calma e atenta, s\u00e3o estrat\u00e9gias fundamentais. Dar cores distintas \u00e0s vogais e \u00e0s consoantes faz entender que s\u00e3o de \u201cfam\u00edlias\u201d diferentes e \u201csem querer\u201d \u00e9 meio caminho andado para as memorizar. Por exemplo, ao saber que \u201cc\u00e3o\u201d se escreve \u2013 azul, vermelho, vermelho \u2013 a mem\u00f3ria \u00e9 exercitada de uma forma muito mais focada e novamente, visual. Escrever a palavra com s\u00edlabas diferentes em falta para completar, em frases de leitura; palavras cruzadas; trocar as s\u00edlabas e perguntar o que \u00e9; jogo da forca com um tema; escrever recados; manter um di\u00e1rio gr\u00e1fico com apontamentos; etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante muitos anos, tivemos por toda a casa centenas de etiquetas com os nomes de tudo. A cama, a janela, a porta, a m\u00e1quina do caf\u00e9, a mesa, a cadeira, tudo o que se possa imaginar. Ainda hoje encontro etiquetas aqui e ali. Fizemos muitas vezes o jogo de encontrar os objetos. Dando-lhe uma lista de palavras, o Tiago tinha de encontrar o objeto e desenh\u00e1-lo, sem fazer ideia de que estava a aprender a palavra de cada vez que olhava para ela. A criatividade \u00e9 infinita, pelo que seguindo os princ\u00edpios de uma aprendizagem visual, em termos de estrat\u00e9gias as hip\u00f3teses s\u00e3o imensas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Literatura<\/h4>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de desenvolvimento da leitura de uma crian\u00e7a Surda no 1.\u00ba ciclo normalmente n\u00e3o est\u00e1 ainda nivelado com o seu n\u00edvel cognitivo. A crian\u00e7a sabe e interessa-se por muito mais do que aquilo que consegue ler com total autonomia. Assim sendo, contar hist\u00f3rias, curtas ou longas, deve ser um exerc\u00edcio preferido \u00e0 tentativa de fazer a crian\u00e7a ler algo que ainda n\u00e3o consegue. Esta disciplina teve v\u00e1rios objetivos no seu desenvolvimento: dar acesso a literatura adequada ao n\u00edvel de desenvolvimento cognitivo do Tiago; desenvolver a memoriza\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o de relatos de extens\u00e3o variada; promover a compreens\u00e3o e an\u00e1lise de hist\u00f3rias e textos de tipos variados, adequados \u00e0 sua idade\/desenvolvimento; explorar a educa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria; introduzir&nbsp; conceitos liter\u00e1rios e estilos, tipos de texto, etc. (narrador, personifica\u00e7\u00e3o, f\u00e1bula, \u2026); descobrir e sentir que os livros s\u00e3o bons e \u00e9 bom explorar livros, sentir a magia de ler.<\/p>\n\n\n\n<p>A narra\u00e7\u00e3o feita a seguir \u00e0 leitura em LGP \u00e9 uma medida mais clara da compreens\u00e3o e an\u00e1lise superior do aluno, mais do que uma pergunta direta, pois levou o Tiago a digerir a informa\u00e7\u00e3o, perceber o que \u00e9 relevante, ordenar para si e decidir como o vai explicar de forma que o outro o entenda. Dizem que s\u00f3 sabemos bem uma coisa quando somos capazes de a ensinar a outro, assim, o reconto das hist\u00f3rias prova que foram interiorizadas e em que grau de pormenoriza\u00e7\u00e3o. Por norma a literatura acedida nesta disciplina, podendo ou n\u00e3o fazer parte do plano nacional de leitura, \u00e9 contada em LGP, ao que posteriormente o aluno trabalha o reconto.&nbsp;No caso das hist\u00f3rias curtas e textos, o reconto \u00e9 feito de forma imediata, trabalhando os aspetos da compreens\u00e3o, an\u00e1lise e memoriza\u00e7\u00e3o curta. Por outro lado, nas obras liter\u00e1rias de v\u00e1rios cap\u00edtulos que demoram mais de uma semana a contar, o reconto s\u00f3 \u00e9 pedido algum tempo depois, cerca de um m\u00eas ap\u00f3s a conclus\u00e3o da leitura, trabalhando assim os aspetos da integra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria na imagina\u00e7\u00e3o permanente, a memoriza\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio e longo prazo dos detalhes e a forma personalizada de recontar o conte\u00fado recorrendo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e construindo a sua forma pr\u00f3pria de a expressar. Este \u00e9 um exerc\u00edcio da maior utilidade para a apreens\u00e3o de todo o tipo de informa\u00e7\u00f5es e saberes. Por vezes, as leituras foram tamb\u00e9m exploradas de outras formas, fazendo as partes da hist\u00f3ria em ilustra\u00e7\u00e3o ou em esquema, dramatizando, criando um fim diferente ou recontando da perspetiva de um personagem diferente, partir dela para discuss\u00f5es sobre a vida real, filosofia ou o que se quiser. Esta disciplina garantiu-nos momentos muito bem passados em bancos de jardins, \u00e0 sombra de grandes \u00e1rvores ou no calor das mantas e do sof\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ingl\u00eas<\/h4>\n\n\n\n<p>Para o Ingl\u00eas, deixo apenas uma pequena nota. No curr\u00edculo dos alunos Surdos, a aprendizagem desta l\u00edngua, a sua terceira, s\u00f3 se inicia no 7.\u00ba ano, \u00e0 semelhan\u00e7a dos seus pares ouvintes quando escolhem aprender a L3, normalmente entre o Espanhol, o Franc\u00eas e o Alem\u00e3o. De qualquer forma, dado o excelente dom\u00ednio do Tiago em LGP (L1) ter facilitado o bom desenvolvimento da aprendizagem do Portugu\u00eas (L2), quando ele demonstrou interesse em aprender Ingl\u00eas, n\u00e3o vi porque n\u00e3o o fazer. Assim, o Tiago come\u00e7ou a aprender Ingl\u00eas no 3.\u00ba ano e a facilidade com que tem continuado esta aprendizagem deixa-me muito orgulhosa. O Ingl\u00eas \u00e9, de facto, mais simples de aprender pelos alunos surdos, quando comparado ao Portugu\u00eas, quer pela sua estrutura fr\u00e1sica, quer pelos termos gramaticais por terem menos flex\u00f5es (verbais, adjetivais, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando numa fase j\u00e1 mais consolidada, e se for do seu interesse, a crian\u00e7a Surda consegue aprender muito vocabul\u00e1rio por si mesma, em v\u00eddeos, jogos e outros contextos informais. A forma como os manuais de Ingl\u00eas est\u00e3o organizados \u00e9 muito facilitadora, pelo uso de muitas imagens e exerc\u00edcios de rela\u00e7\u00e3o, pelo que poderiam servir de inspira\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento de manuais de PL2. Em ciclos posteriores de estudo, a \u00fanica salvaguarda que fa\u00e7o relativamente ao ensino das l\u00ednguas \u00e9 quanto ao n\u00edvel de profici\u00eancia dos professores em LGP, porque o ensino de uma l\u00edngua mediada por um int\u00e9rprete n\u00e3o resulta, uma vez que o aluno s\u00f3 v\u00ea o gesto e quem o est\u00e1 a fazer n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por acionar as estrat\u00e9gias, mas sim uma ponte. No ensino das l\u00ednguas n\u00e3o pode haver pontes, de resto, recomendo que em existindo condi\u00e7\u00f5es, a aprendizagem do Ingl\u00eas se inicie o mais precocemente poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Matem\u00e1tica<\/h4>\n\n\n\n<p>A Matem\u00e1tica \u00e9 uma disciplina fundamental e muito pr\u00e1tica, em que os principais suportes utilizados foram sempre, a par dos manuais, os materiais manipul\u00e1veis e o nosso quadro branco, que tantos e tantos exerc\u00edcios viu acontecer. Recorremos tamb\u00e9m a muitos jogos e aplica\u00e7\u00f5es concretas do racioc\u00ednio das mat\u00e9rias nas situa\u00e7\u00f5es reais das rotinas e do mundo. Ir \u00e0s compras, ver se o dinheiro chega, pagar e receber o troco. Perceber se um dado objeto cabe num dado lugar, quantas laranjas vamos precisar para fazer o sumo para todos os amigos que vieram lanchar, s\u00e3o sentidos muito pr\u00e1ticos da aplica\u00e7\u00e3o da Matem\u00e1tica que t\u00eam um significado concreto, real. Conforme o curr\u00edculo, o nosso plano de aprendizagens da disciplina estava dividido nas \u00e1reas N\u00fameros e Opera\u00e7\u00f5es; Geometria e Medida; Organiza\u00e7\u00e3o e Tratamento de Dados; e, Resolu\u00e7\u00e3o de problemas, Racioc\u00ednio e Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por norma, as crian\u00e7as Surdas t\u00eam um bom racioc\u00ednio matem\u00e1tico, preferindo naturalmente esta disciplina \u00e0s letras. Como s\u00e3o muito visuais, tamb\u00e9m t\u00eam facilidade na Geometria e na visualiza\u00e7\u00e3o espacial. Por outro lado, uma das suas maiores dificuldades pode estar na interpreta\u00e7\u00e3o de enunciados atrav\u00e9s da leitura para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas. No sentido de superar esta poss\u00edvel dificuldade, os problemas t\u00eam de ser devidamente explicados em LGP por quem ensina, uma vez que n\u00e3o podemos fazer depender o desenvolvimento das compet\u00eancias matem\u00e1ticas do n\u00edvel de literacia em que a crian\u00e7a se encontra. Esta conce\u00e7\u00e3o serve para qualquer disciplina, em que os elementos de aprendizagem e de avalia\u00e7\u00e3o devem ser adaptados de forma equitativa ao n\u00edvel de desenvolvimento da literacia no momento. Por exemplo, um aluno surdo com pouco dom\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o escrita n\u00e3o pode ser prejudicado num teste de ci\u00eancias ou de hist\u00f3ria, por n\u00e3o saber escrever as palavras, ou ver a sua nota descontada por n\u00e3o ter escrito corretamente. Ent\u00e3o, quanto aos problemas matem\u00e1ticos, o enunciado \u00e9 devidamente explicado pelo professor que domina corretamente a LGP e \u00e9 feita a leitura acompanhada do mesmo, ensinando a retirarem-se as informa\u00e7\u00f5es essenciais \u00e0 sua resolu\u00e7\u00e3o. A repeti\u00e7\u00e3o deste processo resultar\u00e1 no ganho da autonomia do aluno que ser\u00e1 cada vez mais capaz de o fazer por si mesmo, ganhando cada vez mais confian\u00e7a. \u00c9 igualmente importante ter em conta uma complexidade progressiva dos enunciados, come\u00e7ando por textos muito curtos e com uma linguagem muito simples e aumentando o grau de dificuldade em conson\u00e2ncia com o que sabemos que a crian\u00e7a \u00e9 capaz de fazer, provocando uma integra\u00e7\u00e3o que mais vale ser lenta do que produzir repetitivas frustra\u00e7\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam a ver com a matem\u00e1tica em si. A tradu\u00e7\u00e3o do enunciado para desenho e s\u00edmbolos visuais \u00e9 tamb\u00e9m muito \u00fatil. E \u00e0 medida que o aluno vai desenvolvendo o seu n\u00edvel de leitura, a compreens\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o de problemas \u00e9 cada vez mais bem conseguida. N\u00e3o vale a pena explicar da mesma maneira o que n\u00e3o se entendeu e as conquistas devem ser todas celebradas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ci\u00eancias&nbsp;(Geral, Animais, Plantas e Experi\u00eancias)<\/h4>\n\n\n\n<p>Ci\u00eancias e as suas experi\u00eancias sempre foram a \u00e1rea de predile\u00e7\u00e3o do Tiago. A divis\u00e3o da disciplina nas quatro componentes \u2013 Geral, Animais, Plantas e Experi\u00eancias \u2013 permitiu, al\u00e9m de explorar os temas curriculares previstos ao n\u00edvel do 1.\u00ba ciclo, aprofundar muito mais o estudo de animais e plantas, em teoria e no terreno.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos temas curriculares ditos gerais, a utiliza\u00e7\u00e3o de posters, livros alternativos aos escolares e pesquisa na internet s\u00e3o recursos muito \u00fateis. Desde o corpo humano ao sistema solar e ao ciclo da \u00e1gua, h\u00e1 que ter em conta tamb\u00e9m a quantidade imensa de vocabul\u00e1rio associado que a crian\u00e7a tem de aprender. No caso de uma crian\u00e7a Surda, que n\u00e3o ouve estas palavras e que n\u00e3o as encontra visualmente no dia a dia, pela sua especificidade, \u00e9 necess\u00e1rio criar jogos de palavras, com cart\u00f5es e imagens, mapas mentais, desenhos e esquemas que v\u00e3o ficando expostos pelas paredes, de forma que progressivamente este vocabul\u00e1rio seja reconhecido e depois produzido de forma autossuficiente e claro, devidamente integrado \u00e0 compreens\u00e3o conceptual. A associa\u00e7\u00e3o gesto \u2013 palavra \u2013 imagem tem de estar sempre muito clarificada e usada de forma recorrente.<\/p>\n\n\n\n<p>A abordagem ao estudo dos animais foi feita de forma sazonal, em formato projeto. Em cada esta\u00e7\u00e3o do ano foram escolhidos pelo Tiago um conjunto de animais, por exemplo, na primavera as aves migrat\u00f3rias, no ver\u00e3o os peixes mar\u00edtimos, no outono os animais de floresta como as raposas e os lobos, no inverno os ursos polares ou os animais que hibernam. O formato de projeto promove a oportunidade de se estudarem m\u00faltiplos aspetos do mesmo tema ao longo do tempo. No caso dos animais, \u00e9 estudada a sua classifica\u00e7\u00e3o como invertebrados e vertebrados, as caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas, a reprodu\u00e7\u00e3o &#8211; ov\u00edparos e viv\u00edparos, a desloca\u00e7\u00e3o, a alimenta\u00e7\u00e3o &#8211; herb\u00edvoros, carn\u00edvoros, omn\u00edvoros, os habitats, a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, os comportamentos, a adapta\u00e7\u00e3o ao clima &#8211; luz, \u00e1gua, temperatura, solo, os problemas ambientais e estado de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e as cadeias alimentares. Esta estrat\u00e9gia permite integrar todos estes conceitos curriculares de forma mais significante, ao serem enquadrados em animais espec\u00edficos e com o tempo, comparados com os dados recolhidos e com as aprendizagens realizadas em cada projeto sazonal. Desta forma, o conhecimento permanece, n\u00e3o \u00e9 consumido e esquecido. O Tiago mobiliza conhecimentos muito pormenorizados sobre muitas esp\u00e9cies de animais porque tomou as decis\u00f5es sobre o que queria aprender, teve tempo para os estudar e para desfrutar das descobertas que foi realizando.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi utilizada a mesma abordagem em rela\u00e7\u00e3o ao estudo das plantas. Escolhendo-se um conjunto de esp\u00e9cies por esta\u00e7\u00e3o do ano, entre herb\u00e1ceas, arbustos e \u00e1rvores e decompondo o seu estudo em v\u00e1rias componentes e aspetos. Trabalhos visuais e pr\u00e1ticos s\u00e3o muito importantes, como a constru\u00e7\u00e3o de um pequeno herb\u00e1rio, o desenho \u00e0 vista e o reconhecimento de esp\u00e9cies nos jardins e na serra, tornando-se uma brincadeira familiar de grande utilidade pedag\u00f3gica, levando tamb\u00e9m o olhar al\u00e9m da dimens\u00e3o cient\u00edfica, ao sagrado que habita em todas as esp\u00e9cies vegetais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, quanto \u00e0s experi\u00eancias, acho que todas as crian\u00e7as t\u00eam um cientista em si. As experi\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o para ser observadas, como muitas vezes acontece numa escola, pela dimens\u00e3o das turmas e escassez de recursos suficientes para todos. As experi\u00eancias s\u00e3o para ser vividas e as crian\u00e7as devem fazer parte de todo o processo. Desde a apresenta\u00e7\u00e3o da ideia, a crian\u00e7a participa ativamente na prepara\u00e7\u00e3o dos materiais, na montagem, na execu\u00e7\u00e3o, no registo dos dados e na responsabiliza\u00e7\u00e3o pela limpeza e arruma\u00e7\u00e3o dos materiais. \u00c9 uma hora l\u00fadica, pelo que se n\u00e3o se souber escrever as palavras, apontam-se as conclus\u00f5es em desenho e o resto fica para a aula de portugu\u00eas. O ED tem tempo para tudo e o importante aqui \u00e9 a compreens\u00e3o, a manipula\u00e7\u00e3o e a satisfa\u00e7\u00e3o de fazer acontecer.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Geografia (Geral, Portugal, Mundial e Mapas)<\/h4>\n\n\n\n<p>A disciplina de Geografia foi tamb\u00e9m dividida em \u00e1reas tem\u00e1ticas: Geral, Portugal, Mundial e Mapas. Em cada uma destas \u00e1reas foi feito um trabalho articulado e interativo, por exemplo, na Geografia de Portugal, ao estudar cada regi\u00e3o, s\u00e3o abordados os conte\u00fados program\u00e1ticos da disciplina geral, tais como as atividades e as constru\u00e7\u00f5es do meio, o estudo do relevo e dos principais rios, etc. Eleger uma regi\u00e3o e estud\u00e1-la durante algum tempo permite aprofundar as pesquisas e conhecer aspetos culturais como os contos populares e o folclore que lhe s\u00e3o caracter\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Geografia Mundial, al\u00e9m do estudo que se iniciou pelos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, foram estudados pa\u00edses que vinham ao conhecimento atrav\u00e9s das outras disciplinas. Por exemplo, ao estudar sobre um artista em Artes, estud\u00e1mos sobre o seu pa\u00eds de origem. Ao estudar uma cultura antiga em Hist\u00f3ria Mundial, observ\u00e1mos os atuais pa\u00edses onde essa cultura se fixou e a extens\u00e3o dos imp\u00e9rios de v\u00e1rias civiliza\u00e7\u00f5es. Cidadania \u00e9 igualmente uma disciplina que desperta para a pesquisa de pa\u00edses e suas culturas em v\u00e1rias \u00e1reas de estudo. O estudo sobre cada pa\u00eds debru\u00e7a-se sobre aspetos como: bandeira, localiza\u00e7\u00e3o, clima, paisagem, relevo, caracter\u00edsticas culturais e sociais, densidade populacional\/\u00e1rea, l\u00ednguas oficiais, capital e aspetos espec\u00edficos de cada pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho feito no tema Mapas foi o de sintetizar os conhecimentos de localiza\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o com as bandeiras, localiza\u00e7\u00e3o de rios, conceitos como Uni\u00e3o Europeia, ONU, ou grupos de pa\u00edses como o Reino Unido ou a Escandin\u00e1via.&nbsp;De uma forma operativa, desenhar contornos de pa\u00edses em papel vegetal e colecion\u00e1-los num suporte adequado, permite \u00e0 crian\u00e7a uma rela\u00e7\u00e3o com a aprendizagem que far\u00e1 com que esta se torne em conhecimento permanente e manipul\u00e1vel. Mais do que saber o nome dos pa\u00edses lus\u00f3fonos, queremos compreender o que s\u00e3o e onde s\u00e3o, como vivem os seus habitantes, quais as suas caracter\u00edsticas. Mais do que entender que existem movimentos de emigra\u00e7\u00e3o e imigra\u00e7\u00e3o, importa perceber quais s\u00e3o, para onde v\u00eam as pessoas, para onde v\u00e3o. At\u00e9 a n\u00edvel pol\u00edtico, introduzindo no\u00e7\u00f5es basilares de quais s\u00e3o as principais pol\u00edticas mundiais e as suas implica\u00e7\u00f5es sociais, deve-se preparar o terreno onde ir\u00e3o germinar a capacidade de an\u00e1lise de todas as quest\u00f5es mais complexas que caracterizam a hist\u00f3ria da humanidade e a sociedade atual. Em suma, al\u00e9m dos conte\u00fados program\u00e1ticos previstos, esta foi mais uma disciplina desenvolvida de uma forma hol\u00edstica e bastante transversal \u00e0s outras \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3ria<\/h4>\n\n\n\n<p>A disciplina de Hist\u00f3ria esteve, para n\u00f3s, naturalmente dividida em Hist\u00f3ria de Portugal e Hist\u00f3ria Mundial. A par destas categorias, existem conte\u00fados program\u00e1ticos de car\u00e1cter geral como a evolu\u00e7\u00e3o dos meios de transporte e a evolu\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o que foram dados nesta disciplina, mas dada a especificidade dos conte\u00fados a aprender estarem todos no \u00e2mbito da Hist\u00f3ria de Portugal e da Hist\u00f3ria Mundial, estas foram as categorias que fizeram sentido no nosso programa, no intuito de seguir a estrat\u00e9gia de aprofundar temas de interesse naturais do Tiago.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Hist\u00f3ria Mundial aprendemos sobre diversas civiliza\u00e7\u00f5es, tais como a Sum\u00e9ria, a Babil\u00f3nia, onde era a Mesopot\u00e2mia, qual foi o papel dos rios Tigre e Eufrates no desenvolvimento do ber\u00e7o da humanidade, o Crescente F\u00e9rtil, a cronologia, as suas principais caracter\u00edsticas, temas basilares como a inven\u00e7\u00e3o da escrita e da roda. A no\u00e7\u00e3o da passagem da Pr\u00e9-Hist\u00f3ria para a Hist\u00f3ria. No estudo de cada civiliza\u00e7\u00e3o e culturas antigas, como o Antigo Egito, a Roma e a Gr\u00e9cia Antigas, a cultura Celta, deu-se primazia aos seus contextos hist\u00f3ricos, culturais, religiosos e geogr\u00e1ficos. Estes foram temas amplamente estudados e apreciados pelo Tiago, que adora esta componente mundial da disciplina.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma estrat\u00e9gia muito importante foi desde logo, construir numa das paredes da casa uma linha cronol\u00f3gica, em sete longos frisos de cartolina plastificada, do teto ao ch\u00e3o. Depois de realizar este trabalho com o Tiago, entusiasmado com a conce\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o, come\u00e7\u00e1mos por colocar as datas importantes sobre a sua hist\u00f3ria pessoal, como a sua data de nascimento e acontecimentos familiares importantes. Este friso cronol\u00f3gico foi um recurso essencial para a perce\u00e7\u00e3o progressiva da no\u00e7\u00e3o temporal. N\u00e3o basta dizer, quando falamos de dinossauros, que se extinguiram h\u00e1 cerca de 65 milh\u00f5es de anos. \u00c9 um n\u00famero demasiado vasto para ser compreendido sem apoio visual. Decorar datas n\u00e3o \u00e9 o mesmo que compreend\u00ea-las. Mesmo a no\u00e7\u00e3o de s\u00e9culos, a no\u00e7\u00e3o de que algo aconteceu no s\u00e9culo tal, ou h\u00e1 quinhentos anos, por exemplo. Assim, \u00e0 medida que aprendia sobre a vida de um determinado pintor, sobre um dado acontecimento hist\u00f3rico, a imagem dessa figura ou evento hist\u00f3ricos eram adicionados \u00e0 parede. Desta forma, o Tiago interiorizou a no\u00e7\u00e3o temporal, a escala de d\u00e9cada, s\u00e9culo e mil\u00e9nio, a rela\u00e7\u00e3o entre datas, as contagens, a simultaneidade de acontecimentos mundiais e ainda, memorizou em definitivo uma s\u00e9rie de datas hist\u00f3ricas importantes, por poder olhar diretamente para eles durante anos. Al\u00e9m de tudo, foi um trabalho bastante art\u00edstico com um investimento longo de tempo e dedica\u00e7\u00e3o, dotado de paci\u00eancia e pormenor e em que o Tiago se envolveu a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artes Criativas<\/h4>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma disciplina que prioriza a criatividade e a capacidade de elabora\u00e7\u00e3o de desenhos, pinturas, constru\u00e7\u00f5es, instala\u00e7\u00f5es e cartazes, realizados em diversos materiais e suportes. Desenhar, pintar, recortar, colar, s\u00e3o tarefas que al\u00e9m de desenvolverem a motricidade fina e a criatividade, criam momentos de gosto e lazer. Muitas vezes, os trabalhos realizados em Artes Criativas debru\u00e7am-se sobre temas de outras disciplinas como Hist\u00f3ria, Cidadania e Literatura, por exemplo.&nbsp;Por outro lado, no esp\u00edrito de olhar o Mundo como uma grande sala de aula, h\u00e1 aprendizagens essenciais que se aprendem mesmo s\u00f3 a brincar, a cozinhar, a construir, a semear, a plantar e a aprender a manter. Muitas das nossas capacidades descobrem-se e viajam assim por momentos em casa, na floresta, onde seja, em que momentos informais ensinam e aplicam muito daquilo que aprendemos ao real e ao quotidiano. Artes e of\u00edcios nunca s\u00e3o demais numa mente criativa com m\u00e3os engenhosas!<\/p>\n\n\n\n<p>Associar o gosto est\u00e9tico \u00e0 utilidade do que se produz \u00e9 uma qualidade inestim\u00e1vel nos dias de hoje, na minha opini\u00e3o. Fazer porque \u00e9 preciso e de uma forma bela. Por exemplo, todas as fadas precisam de uma casa bonita, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Aprecia\u00e7\u00e3o Art\u00edstica<\/h4>\n\n\n\n<p>Em Aprecia\u00e7\u00e3o Art\u00edstica, realiz\u00e1mos o estudo aprofundado de v\u00e1rios artistas, dos cl\u00e1ssicos aos contempor\u00e2neos. Ao realizar o estudo de um artista, ao longo de v\u00e1rias semanas, aprendemos sobre a sua vida e obra. Fazendo o estudo da biografia do artista, aprendemos sobre o contexto hist\u00f3rico e cultural da sua vida, sobre o seu pa\u00eds de origem e os pa\u00edses importantes de passagem, pesquis\u00e1mos e lemos obras liter\u00e1rias relacionadas. Ao estudar as suas obras, percebemos caracter\u00edsticas de movimentos art\u00edsticos, distinguimos e compar\u00e1mos artistas atrav\u00e9s das suas formas de express\u00e3o e t\u00e9cnicas caracter\u00edsticas, observ\u00e1mos os v\u00e1rios materiais utilizados. Elegemos algumas das suas obras para desenvolver a nossa atividade art\u00edstica pr\u00e1tica, pint\u00e1mos alguns dos seus quadros, desenh\u00e1mos os seus esbo\u00e7os. Esta disciplina foi desenvolvida tamb\u00e9m com a irm\u00e3 do Tiago, em momentos de partilha, de tintas e pinc\u00e9is, de muita aprendizagem e produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Enquanto amantes das Artes, quando os nossos filhos chegam \u00e0 escola e desmistificam informa\u00e7\u00f5es sobre a vida de Van Gogh, ensinam curiosidades sobre Leonardo da Vinci ou relatam a vida de Frida Kahlo, devemos ficar orgulhosos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Cidadania<\/h4>\n\n\n\n<p>A Cidadania, na nossa casa, sempre se aprendeu em conversas, numa abordagem muito informal, em tom de debate saud\u00e1vel e de partilha. Desde muito cedo, come\u00e7\u00e1mos a conversar com os nossos filhos sobre o mundo, a vida, a sustentabilidade humana e ambiental, a diversidade cultural, entre tudo o mais. No ED, os dom\u00ednios desenvolvidos formalmente ao longo do 1.\u00ba ciclo na nossa disciplina de Cidadania, trabalhados transversalmente nas outras disciplinas, focaram-se em torno dos direitos humanos, da igualdade de g\u00e9nero, interculturalidade, desenvolvimento sustent\u00e1vel, educa\u00e7\u00e3o ambiental, sa\u00fade, sexualidade, media, institui\u00e7\u00f5es e participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, literacia financeira e educa\u00e7\u00e3o para o consumo, bem-estar animal e voluntariado. O permanente estudo sobre as principais efem\u00e9rides nacionais, internacionais e mundiais, a pesquisa da informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel relacionada com estas datas e o debate sobre os temas, foram sempre um meio natural de estudo, n\u00e3o s\u00f3 de conte\u00fados program\u00e1ticos, como tamb\u00e9m de amplia\u00e7\u00e3o da cultura geral. Esta disciplina \u00e9 sempre debatida em LGP, mas tamb\u00e9m \u00e9 alvo de muitas pesquisas na Internet e da correla\u00e7\u00e3o com trabalhos de TIC e de Artes. \u00c9 de notar tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do acesso a estes temas de interesse tamb\u00e9m atrav\u00e9s da leitura de textos tem\u00e1ticos e informa\u00e7\u00f5es, promovendo a leitura objetivada, o ler com gosto e significado.<\/p>\n\n\n\n<p>Dou dois exemplos de atividades quanto \u00e0 disciplina de Cidadania. Num dos anos, no Dia Nacional do Surdo e Anivers\u00e1rio da APS, o Tiago esteve presente nas celebra\u00e7\u00f5es restritas do anivers\u00e1rio da associa\u00e7\u00e3o (restritas pelas medidas de confinamento social) e assistiu a uma aula fant\u00e1stica sobre a Hist\u00f3ria da Comunidade Surda dada por v\u00e1rios membros presentes. Sim, no ED podem surgir muitos professores, enriquecendo-se pela diversidade de conhecimentos e de perspetivas e felizmente, v\u00e1rios amigos Surdos desempenharam este papel de professores informais e de modelos culturais. Fizemos sempre quest\u00e3o de ir semanalmente \u00e0 APS, encontrar algu\u00e9m muito especial, que \u00e9 a nossa fada-madrinha e que foi fundamental em todo o acompanhamento que nos deu e por tudo o que nos ensinou.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro tema que interessou muito ao Tiago foi a Igualdade de G\u00e9nero &#8211; promover igualmente os direitos das mulheres e das raparigas e a igualdade de g\u00e9nero em v\u00e1rios planos \u2013 pol\u00edtico, econ\u00f3mico, social e cultural \u2013, contribuindo para a elimina\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos. Este foi um tema muito conversado e deixo aqui o que anotei na altura, quando aos nove anos coloquei ao Tiago a pergunta aberta: \u201cO que entendes sobre a Igualdade de G\u00e9nero?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O Tiago relatou livremente o que aprendeu sobre o tema. Nomeou a import\u00e2ncia de o g\u00e9nero feminino ser respeitado em rela\u00e7\u00e3o de igualdade ao g\u00e9nero masculino. Frisou as v\u00e1rias desigualdades que se observam no mundo contempor\u00e2neo, a n\u00edvel profissional (menos empregabilidade, sal\u00e1rios mais baixos), o facto de as mulheres muitas vezes ficarem sobrecarregadas com as tarefas profissionais e as dom\u00e9sticas, n\u00e3o havendo divis\u00e3o de tarefas entre casais. Falou nas culturas de outros pa\u00edses em que as mulheres s\u00e3o desprivilegiadas (n\u00e3o entram nas mesquitas, s\u00e3o obrigadas ao uso das burcas, s\u00e3o obrigadas a trabalhos esfor\u00e7ados, etc.). Historicamente referiu-se ao facto de as mulheres n\u00e3o terem direito ao voto e n\u00e3o terem acesso \u00e0 escola, mencionando que em muitos pa\u00edses ainda \u00e9 uma realidade atual. Referiu-se aos movimentos sufragistas na Am\u00e9rica e disse que v\u00e1rias mulheres come\u00e7aram a destacar-se em profiss\u00f5es de \u00e1reas importantes como as Ci\u00eancias e a Medicina. Disse que as mulheres sempre foram mais ligadas \u00e0s profiss\u00f5es da \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o, por sempre terem estado ligadas ao longo dos tempos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos filhos e da comunidade. Falou de v\u00e1rios problemas que vieram com a luta pela igualdade, em que por n\u00e3o se sentirem respeitadas no seu papel dom\u00e9stico as mulheres quiseram ir trabalhar e ir ganhar dinheiro, nomeadamente: os filhos passaram a ficar muitas horas por dia longe das fam\u00edlias e n\u00e3o ser a m\u00e3e que cuida deles e os ensina. As mulheres esqueceram-se da medicina natural e de muitos segredos antigos que sabiam e que as fam\u00edlias perderam muito com isso. Disse que compreendia a mudan\u00e7a, mas que tinha pena destas coisas se terem perdido. Acha que quando os homens dividem esfor\u00e7os nas tarefas da casa com as mulheres n\u00e3o as est\u00e3o a ajudar, mas sim a fazer o trabalho deles. Diz que os filhos preferem ter as m\u00e3es e os pais presentes, que tamb\u00e9m a cuidar dos filhos tem de haver igualdade. Falou nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e no medo que muitas mulheres sentem em sair de casa nestes casos, por n\u00e3o terem como sobreviver sozinhas com os filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, acha que as desigualdades de g\u00e9nero est\u00e3o muito ligadas ao dinheiro e que as pessoas deviam respeitar-se umas \u00e0s outras e n\u00e3o ao dinheiro que ganham, porque as mulheres que antigamente trabalhavam em casa, a cuidar dos filhos e da casa faziam um trabalho muito importante pelas suas fam\u00edlias e mereciam ter sido respeitadas por isso, e n\u00e3o desrespeitadas por n\u00e3o ganharem dinheiro, porque todos ganham com o trabalho da m\u00e3e que cuida.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e da Comunica\u00e7\u00e3o (TIC)<\/h4>\n\n\n\n<p>Na atualidade, numa sociedade global pautada pela interconex\u00e3o digital, pela velocidade da comunica\u00e7\u00e3o e da troca de informa\u00e7\u00f5es, as crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o mais meras consumidoras dos conte\u00fados, mas tamb\u00e9m produtoras cada vez mais precoces. Neste sentido, as TIC vieram proporcionar, a par da multiplicidade de contextos e da diversidade cultural que caracterizam as comunidades, um palco amplo e abrangente em que importam as compet\u00eancias certas, digitais, humanas e \u00e9ticas para que os seus atores possam agir em consci\u00eancia, liberdade e seguran\u00e7a. Al\u00e9m deste processo de potencializa\u00e7\u00e3o do bom uso das TIC, para os alunos Surdos, extremamente visuais nas suas estrat\u00e9gias internas para apreender a informa\u00e7\u00e3o, estas constituem realmente agentes facilitadores, promovendo a comunica\u00e7\u00e3o, a consulta de informa\u00e7\u00e3o \u00fatil \u00e0s aprendizagens, o acesso a elementos visuais pertinentes e a cria\u00e7\u00e3o de recursos pedag\u00f3gicos promotores da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Desta forma, nesta disciplina transversal \u00e0s demais pela a\u00e7\u00e3o di\u00e1ria relativa a pesquisas e produ\u00e7\u00f5es para os mais variados temas, procurou-se desenvolver as atitudes cr\u00edticas no uso de tecnologias, dos ambientes e dos servi\u00e7os digitais; as compet\u00eancias de pesquisa e de an\u00e1lise de informa\u00e7\u00e3o online, em que o estabelecimento de crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o se torna essencial tanto ao n\u00edvel da signific\u00e2ncia, como da seguran\u00e7a do utilizador; a capacidade de comunicar de forma adequada, utilizando meios e recursos digitais; e, a criatividade, explorando ideias e recursos. De facto, o desenvolvimento da literacia digital e medi\u00e1tica est\u00e1 relacionado a m\u00faltiplos aspetos e compet\u00eancias que procurei desenvolver, levando o Tiago a participar ativamente no seu processo de aprendizagem e na produ\u00e7\u00e3o de artefactos digitais.&nbsp;Aspetos como a dete\u00e7\u00e3o de <em>fake news<\/em> e a perce\u00e7\u00e3o do <em>bullying<\/em> digital, entre outros, despertam no sentido cr\u00edtico dos atuais nativos digitais a capacidade de selecionar informa\u00e7\u00e3o e de criar, individual e coletivamente, comportamentos corretos, seguros e potencializadores na utiliza\u00e7\u00e3o da internet.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a utiliza\u00e7\u00e3o de programas como o Word para a escrita e edi\u00e7\u00e3o de textos e o PowerPoint para criar cartazes, fichas cient\u00edficas de animais, etc., exploraram-se in\u00fameros outros recursos digitais, numa perspetiva de constru\u00e7\u00e3o dos saberes. No \u00e2mbito da utiliza\u00e7\u00e3o segura das redes sociais, cri\u00e1mos um perfil de Instagram privado onde o Tiago dedicou os conte\u00fados publicados ao ativismo ambiental, demonstrando as suas preocupa\u00e7\u00f5es sobre os problemas atuais e tendo em considera\u00e7\u00e3o as regras de seguran\u00e7a na utiliza\u00e7\u00e3o desta plataforma, bem como a consciencializa\u00e7\u00e3o sobre as regras de recolha de imagens na internet e os direitos autorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Explor\u00e1mos o programa Scratch com exerc\u00edcios simples de ambienta\u00e7\u00e3o, introduzindo princ\u00edpios b\u00e1sicos de programa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, o Tiago criou uma anima\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, incluindo os nomes dos planetas, os seus posicionamentos, cores e dimens\u00f5es. Ao mesmo tempo que criava os seus artefactos, aplicava e consolidava conhecimentos, produzindo artefactos que s\u00e3o demonstrativos do que sabe e de como sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de uma conta Google e conta de e-mail foi um dos passos iniciais para o envio dos seus primeiros e-mails e aprendizagem das regras de utiliza\u00e7\u00e3o e netiqueta. Todas as ferramentas Google foram exploradas de forma progressiva e integradas na produ\u00e7\u00e3o de trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a maioria das crian\u00e7as, o Tiago adora jogos digitais. Em TIC, al\u00e9m de jog\u00e1-los, numa perspetiva de <em>game-based learning<\/em>, em jogos j\u00e1 existentes ou criados por mim para o efeito, aprendeu a fazer os seus pr\u00f3prios jogos e a partilh\u00e1-los com a comunidade digital. O Wordwall e o Kahoot s\u00e3o exemplos de excelentes de plataformas de aprendizagem que permitem fazer este tipo de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo de plataforma ideal para a cria\u00e7\u00e3o de aulas digitais e interativas \u00e9 o Edpuzzle. Com esta ferramenta podemos criar e compartilhar v\u00eddeo-aulas com formato interativo, integrando nos v\u00eddeos, criados ou selecionados, v\u00e1rios elementos como perguntas, imagens e anota\u00e7\u00f5es. O Edpuzzle permite uma aprendizagem visual, atrav\u00e9s do uso de diversos elementos; individualizada, respeitando o ritmo de cada um; flex\u00edvel, adaptando-se a modelos de ensino tanto presenciais, como h\u00edbridos e de EaD, em qualquer n\u00edvel de ensino; e de f\u00e1cil reten\u00e7\u00e3o, pela curta dura\u00e7\u00e3o das aulas, facilitando a compreens\u00e3o pela inclus\u00e3o de elementos interativos em prefer\u00eancia a aulas demasiado exaustivas. Com uma intencionalidade centrada no aluno, o Edpuzzle desperta o pensamento cr\u00edtico, fornece feedbacks programados pelo professor, que fomentam a motiva\u00e7\u00e3o do aluno no processo de aprendizagem, enquanto por outro lado permite a obten\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises instant\u00e2neas que auxiliam o professor na avalia\u00e7\u00e3o e na diferencia\u00e7\u00e3o do ensino feita em conformidade aos dados recolhidos. No site encontramos uma s\u00e9rie de aulas padronizadas que poder\u00e3o servir de recurso educacional aberto \u201cpronto a usar\u201d, mas mais que tudo, permite a cria\u00e7\u00e3o original de aulas, totalmente adaptadas \u00e0s necessidades dos alunos. Neste sentido, permite a grava\u00e7\u00e3o de ecr\u00e3, bem como a incorpora\u00e7\u00e3o de qualquer v\u00eddeo da internet, desde que o seu licenciamento assim o permita (dom\u00ednio p\u00fablico ou licen\u00e7as Creative Commons). Numa perspetiva socio-construtivista e conectivista do ensino, creio que esta tipologia de ferramenta, muito intuitiva e facilmente personaliz\u00e1vel quantos \u00e0s especificidades dos diversos contextos de uso e necessidades dos alunos, tem muito a oferecer em termos da qualidade das atividades pedag\u00f3gicas, permitindo criar aulas muito visuais e interativas, ideais para qualquer crian\u00e7a, em especial para as que aprendem de forma fundamentalmente visual.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, desde a pesquisa em sites fidedignos, no caso do Tiago sempre adorou consultar os sites da UNESCO e da UNICEF, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o de BDs digitais, jogos educativos, apresenta\u00e7\u00f5es de temas t\u00e3o variados como os de cidadania social, esp\u00e9cies de animais e plantas em projetos de estudo sazonais e a vida dos seus pintores preferidos, a disciplina sempre permitiu uma explora\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica muito aprofundada e ao mesmo tempo, muito satisfat\u00f3ria para o meu aluno, promovendo a sua motiva\u00e7\u00e3o e um n\u00edvel de envolvimento muito grande nas suas pr\u00f3prias aprendizagens.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica<\/h4>\n\n\n\n<p>A componente f\u00edsica da educa\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a \u00e9 essencial, promovendo n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade e bem-estar ao n\u00edvel do corpo, mas servindo igualmente o prop\u00f3sito da sa\u00fade mental e emocional, do desenvolvimento psicomotor e da divers\u00e3o. O Tiago praticou Taekwondo com a irm\u00e3 ao longo do ED, num dojo federado do nosso concelho, com um grupo de crian\u00e7as das mesmas idades, pr\u00e1tica ligada tamb\u00e9m \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o e \u00e0 perten\u00e7a a um coletivo. A par disto, sempre demos muito \u00eanfase \u00e0 atividade f\u00edsica e ao desporto no dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o ED \u00e9 um projeto familiar, o pai do Tiago sempre teve muita interven\u00e7\u00e3o nesta disciplina, assim como na Matem\u00e1tica e nas Artes Criativas. O Tiago tinha duas a tr\u00eas aulas semanais de Educa\u00e7\u00e3o com o pai, em que estavam contemplados os aspetos f\u00edsicos a serem trabalhados segundo o plano curricular da disciplina, numa diversidade estudada de atividades completas. Nos outros dias, os raids de bicicleta e os jogos ao ar livre sempre foram momentos l\u00fadicos, que trabalhando o corpo, descansavam a mente e alimentavam o cora\u00e7\u00e3o, em fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Passeios na Natureza<\/h4>\n\n\n\n<p>A Natureza sempre foi uma sala de aula privilegiada por n\u00f3s. Muitas vezes transport\u00e1mos as nossas aulas para a rua, com os livros e materiais dentro das mochilas e uma enorme vontade de explorar. Sempre ador\u00e1mos as nossas aulas nos jardins, nas mesas de pedra do Parque dos Castanheiros, no Pal\u00e1cio Nacional, ou pela Serra. Sintra \u00e9 um lugar cheio de recantos e cen\u00e1rios ideais para passar uma boa manh\u00e3 ou tarde de aulas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, t\u00ednhamos em especial uma tarde da nossa semana em que a pr\u00e1tica era concretamente passear na Natureza. Nestes passeios observ\u00e1vamos tudo em redor, como as mudan\u00e7as das paisagens com as esta\u00e7\u00f5es, faz\u00edamos explora\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de plantas e animais, estud\u00e1vamos ra\u00edzes, ninhos, tocas, faz\u00edamos desenho \u00e0 vista, aprend\u00edamos sobre a Hist\u00f3ria desta terra riqu\u00edssima, recolh\u00edamos elementos naturais para cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, trabalh\u00e1vamos a orienta\u00e7\u00e3o e os pontos cardeais, observ\u00e1vamos o ciclo da \u00e1gua, enfim, a Natureza \u00e9 um recurso ilimitado de saberes e de viv\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>O outono \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o do ano maravilhosa no que toca a oportunidades de explorar temas e viver experi\u00eancias na Serra de Sintra, como a primeira recolha de castanhas ap\u00f3s uma grande chuvada, dan\u00e7ar de galochas no meio das folhas, caminhar at\u00e9 ao Castelo dos Mouros enquanto fazemos uma aula de Bot\u00e2nica e de Hist\u00f3ria, recolher folhas, lenha e outros materiais, estacas de azevinho para fazer propaga\u00e7\u00e3o, reconhecer cogumelos comest\u00edveis, aprender sobre as nascentes, o ciclo da \u00e1gua e sobre as florestas sustent\u00e1veis. E tanto mais! O nosso precioso patrim\u00f3nio sintrense com os seus monumentos e igrejas fazem as del\u00edcias dos nossos passeios, visitando e revisitando lugares que acrescentam sempre oportunidades de abordar novos temas e relacionar conhecimentos j\u00e1 mobilizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos invernos, apesar das condicionantes do clima, existe tanto para explorar! Passe\u00e1mos muito pela Serra, mantendo as nossas observa\u00e7\u00f5es e aprendizagens de campo. Pudemos explorar numerosos temas, como aprender sobre as florestas sustent\u00e1veis em Monserrate, observar os lagos no tempo das chuvas em contraste com o que observ\u00e1mos no ver\u00e3o, explor\u00e1mos os cursos e as minas de \u00e1gua, investig\u00e1mos v\u00e1rias esp\u00e9cies de cogumelos, observ\u00e1mos os anf\u00edbios e as toupeiras, entre muitas outras atividades que surgiam espontaneamente nos nossos passeios. Com o despontar da primavera, v\u00eam novas mudan\u00e7as na paisagem, a flora\u00e7\u00e3o de in\u00fameras esp\u00e9cies vegetais, o regresso de aves migrat\u00f3rias, o ressurgimento vis\u00edvel dos insetos e muito mais, em constante aventura e descoberta.&nbsp;E esta pr\u00e1tica em especial do ED, os nossos Passeios na Natureza, mantivemo-la desde ent\u00e3o, porque mesmo o Tiago estando na escola, o ensino dom\u00e9stico tornou-se um modo de vida que ficar\u00e1 sempre enraizado em n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Museus e Exposi\u00e7\u00f5es<\/h4>\n\n\n\n<p>Sempre valoriz\u00e1mos muito a ida a museus e exposi\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas e outros locais que nos ensinam e d\u00e3o experi\u00eancias f\u00edsicas, visuais, culturais e cognitivas sobre temas que estud\u00e1mos, ou sobre temas completamente novos que nos despertam a curiosidade e a vontade de aprender mais. A ida a um museu constitui um projeto, desde planear em conjunto a viagem, os objetivos do que queremos aprender e o que podemos fazer com a informa\u00e7\u00e3o e elementos que recolhemos. Esta dimens\u00e3o de cidadania ativa implica, inclusive, aprender a utilizar os espa\u00e7os da cidade, os transportes, e todos eles constituem recursos de aprendizagem informais que a vida real e os seus espa\u00e7os concretos t\u00eam para oferecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a Educa\u00e7\u00e3o vive em n\u00f3s, temos escola em qualquer lugar, uma escola aberta e humanista que nos ensina em perman\u00eancia, em cada descoberta e em cada rotina. At\u00e9 os simples passeios do dia a dia s\u00e3o relevantes, desde a ida \u00e0 biblioteca para requisitar livros, ao mercado municipal para comprar fruta. Todos estes passeios nos trazem experi\u00eancias, intera\u00e7\u00f5es e aprendizagens com a comunidade e com as tarefas quotidianas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>O percurso educativo em ED concorreu, a par da sua forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, a estruturar um indiv\u00edduo sens\u00edvel e ligado ao mundo, com uma capacidade cr\u00edtica pertinente, comunicando adequada e abertamente e capaz de procurar e aceder \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, no gozo pleno da sua cidadania enquanto crian\u00e7a em desenvolvimento. Importa notar que a crescente autonomia na leitura e na escrita d\u00e1 ao Tiago um grande gosto pessoal e facilita muit\u00edssimo o seu acesso ao mundo e \u00e0 cultura, grande objetivo que sempre perspetiv\u00e1mos como essencial e que temos uma enorme gratid\u00e3o por testemunhar.&nbsp;O nosso Tiago estar\u00e1 sempre de parab\u00e9ns pelo seu esfor\u00e7o e pelos resultados conquistados. Agora, j\u00e1 integrado na escola, o meu compromisso mant\u00e9m-se no sentido de continuar a ensinar e a aprender para apoiar o meu filho ao longo de todo o seu percurso escolar. Acima de tudo, o que quero \u00e9 v\u00ea-lo ser feliz e respons\u00e1vel pelo seu pr\u00f3prio sucesso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tiago, dedico-te este cap\u00edtulo que conta um pouco da hist\u00f3ria sobre a nossa Escola-Casa, mas mais do que tudo, a verdadeira hist\u00f3ria vai viver sempre dentro dos nossos cora\u00e7\u00f5es, meu querido companheiro.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-5\/\">Anterior<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-2 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/indice\/\">\u00cdndice<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-right is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-3 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-7\/\">Seguinte<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cap\u00edtulo 6 &#8211; O ensino dom\u00e9stico de um aluno Surdo Autor: Susana Maur\u00edcio Palavras-chave: ensino dom\u00e9stico, surdez, criatividade Cita\u00e7\u00e3o: Maur\u00edcio, S. (2023). O ensino dom\u00e9stico de um aluno surdo. In M. Francisco, C. Tom\u00e1s &amp; S. Malheiro (Orgs.). 12 hist\u00f3rias educacionais: Ser diferente na diversidade. Pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas em contextos pouco vis\u00edveis. [Online]. LEAD, Universidade Aberta. 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