{"id":2182,"date":"2024-01-25T22:16:50","date_gmt":"2024-01-25T22:16:50","guid":{"rendered":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/?page_id=2182"},"modified":"2024-01-26T22:15:11","modified_gmt":"2024-01-26T22:15:11","slug":"capitulo-8","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-8\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 8"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cap\u00edtulo 8 &#8211; Com as m\u00e3os e<br>atrav\u00e9s das m\u00e3os<\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Autor<\/strong>: Bruno Filipe Pedroso Duarte<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coautor<\/strong>: Carlos Manuel Ribeiro Santos<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> forma\u00e7\u00e3o profissional, inform\u00e1tica, surdo-cegueira<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cita\u00e7\u00e3o:<\/strong> Duarte, B. &amp; Santos, C. (2023). Com as m\u00e3os e atrav\u00e9s das m\u00e3os. In M. Francisco, C. Tom\u00e1s &amp; S. Malheiro (Orgs.). <em>12 hist\u00f3rias educacionais: Ser diferente na diversidade. Pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas em contextos pouco vis\u00edveis<\/em>. [Online]. LEAD, Universidade Aberta.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Das d\u00favidas \u00e0 a\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Quando recebi o convite de partilhar a minha pr\u00e1tica educativa inovadora, a primeira coisa que me surgiu foi a express\u00e3o popular \u201cEm terra de cego quem tem olho \u00e9 rei.\u201d, cujo significado remete para algu\u00e9m que consegue ver al\u00e9m das circunst\u00e2ncias, achando que esta seria uma boa forma de resumir todo o processo que ocorreu e os benef\u00edcios que este trouxe.<\/p>\n\n\n\n<p>Dia 5 de janeiro de 2004, um dia que me ficar\u00e1 para sempre na mem\u00f3ria e, acima de tudo, um dia em que os receios foram tantos e as incertezas ainda mais, mas vamos come\u00e7ar pelo princ\u00edpio\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Decorria o ano de 2003 e eu encontrava-me a exercer fun\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da forma\u00e7\u00e3o profissional numa IPSS, em Caldas da Rainha, sendo-me apresentada uma proposta de criar e dinamizar uma \u00e1rea de Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TIC) no Centro de Atividades Ocupacionais, dando resposta a pessoas com defici\u00eancia severa e profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s algum tempo de reflex\u00e3o, medindo os pr\u00f3s e contras da decis\u00e3o, aceitei a proposta, a iniciar em janeiro de 2004. E aqui come\u00e7ou uma das maiores aventuras da minha vida\u2026 o contacto com uma pessoa muito especial, mas acima de tudo com uma garra e uma vontade de aprender surpreendente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 com este enquadramento que voltamos ao nosso in\u00edcio desta hist\u00f3ria, ao dia 5 de janeiro de 2004, 9 horas da manh\u00e3, novo servi\u00e7o, novos colegas de trabalho e novos clientes a precisar de uma resposta\u2026 A ansiedade estava ao rubro. O dia come\u00e7ou com a visita ao espa\u00e7o para conhecer as \u00e1reas do Centro de Atividades Ocupacionais. Neste percurso, recordo uma situa\u00e7\u00e3o que me chamou mais a aten\u00e7\u00e3o: de frente para mim, vejo uma pessoa, com cerca de 40 anos, pele clara, muito bem penteado, cachecol ao pesco\u00e7o, \u00f3culos escuros na face e uma m\u00e1quina de escrever Braille \u00e0 sua frente \u2026 era o Carlos, a igni\u00e7\u00e3o desta grande aventura.<\/p>\n\n\n\n<p>O Carlos, que residia e reside com os pais numa aldeia circundante \u00e0 IPSS, \u00e9 extremamente curioso e sempre atento ao que se passa ao seu redor, quis saber quem eu sou, mas sem verbalizar uma \u00fanica palavra, apenas gestos\u2026 \u201cAi, onde vim eu me colocar?\u201d \u2013 pensei de imediato. Apesar de ter desenvolvido atividades com cegos, era a primeira vez que trabalhava com um cego-surdo. Relembro hoje, com algum entusiasmo, desse dia e do que passou, naquele preciso momento, pela minha mente\u2026 eram tantas d\u00favidas \u2013 \u201cSer\u00e1 que vou conseguir?\u201d, \u201cSerei eu a resposta que ele necessita?\u201d, \u201cSe eu falhar, o quanto \u00e9 que o poderei prejudicar?\u201d, e muitas outras d\u00favidas e receios, mas como nunca recusei um desafio, decidi aceitar, com o pensamento que poderia potencializar algo mais para o Carlos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim chegou o dia 1 de trabalho com o Carlos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito receio, da minha parte, ao n\u00edvel comunicacional (\u201cSer\u00e1 que me vai perceber?\u201d, \u201cSerei claro nas mensagens transmitidas?\u201d, \u2026) e de repente o Carlos, lan\u00e7a a m\u00e3o direita ao meu rosto e come\u00e7a a explor\u00e1-lo\u2026 Estava a conhecer-me fisicamente\u2026 \u201cE agora? O que eu fa\u00e7o? Como in\u00edcio a comunica\u00e7\u00e3o?\u201d, ent\u00e3o ele segura na minha m\u00e3o e pede para escrever na dele\u2026 \u201cUfa\u2026 vamos l\u00e1 experimentar\u2026 n\u00e3o parece t\u00e3o dif\u00edcil assim\u201d \u2013 pensei eu. Ao longo dessa manh\u00e3, de descoberta, estivemos a conversar sobre as expectativas dele em rela\u00e7\u00e3o ao meu trabalho\u2026 sim a conversar, atrav\u00e9s do desenho das letras na palma da m\u00e3o direita de ambos, eu na dele e ele na minha, criando-se uma cumplicidade enorme e uma interpreta\u00e7\u00e3o de ambas as partes. Foi uma manh\u00e3 de troca de conhecimentos, de como era o outro e o que cada um esperava com esta partilha.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro-me que terminei esse dia com um sorriso grande e com a ideia que dali poderia surgir algo muito interessante.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, decidi fazer uma abordagem de trabalho com o Carlos e foi a\u00ed que a m\u00e1quina de escrever Braille, com a sua estrutura inconfund\u00edvel, entrou no meu espa\u00e7o de trabalho. Ao longo dos dias\/semanas, aquele som, constante e t\u00e3o caracter\u00edstico do equipamento, prejudicava a concentra\u00e7\u00e3o e muitas das vezes a interpreta\u00e7\u00e3o verbal de alguns colegas que partilhavam o mesmo espa\u00e7o de interven\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, tomei uma decis\u00e3o: \u201cinformatizar\u201d a vida do Carlos de forma a incrementar a sua autonomia e melhorar o ambiente, retirando aquele som perturbador para os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Recordei que no servi\u00e7o onde tinha estado previamente a desempenhar fun\u00e7\u00f5es, naquela institui\u00e7\u00e3o, havia uma linha de Braille autom\u00e1tica que n\u00e3o estava a ser utilizada. Pensei que seria interessante requisit\u00e1-la para utilizar com o Carlos, mas novas d\u00favidas surgiram: \u201cSer\u00e1 o passo certo a tomar?\u201d, \u201cSe n\u00e3o conseguir utilizar, ser\u00e1 que a desmotiva\u00e7\u00e3o pode influenciar a sua abertura a novos desafios?\u201d\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Decidi questionar alguns colegas em rela\u00e7\u00e3o a este procedimento, tendo obtido opini\u00f5es completamente d\u00edspares, tais como \u201cArrisca\u201d ou simplesmente \u201cEst\u00e1s a voar muito alto\u2026 ainda \u00e9s novo\u201d. Como os obst\u00e1culos geralmente n\u00e3o me demovem de alcan\u00e7ar os objetivos, em fevereiro de 2004 fui buscar a dita linha autom\u00e1tica Braille, uma Alva Braille 40, juntamente com uma impressora EVEREST, instalando o equipamento num computador com caracter\u00edsticas muito espec\u00edficas (tinha de possuir MS-DOS devido ao software do equipamento de impress\u00e3o). Neste momento, iniciou uma nova aventura.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo j\u00e1 informado o Carlos do que estava a planear e tendo ele aceitado o desafio, no primeiro dia de contacto com o equipamento sentiu-se algum receio, de ambas as partes, mas a calma e vontade de aprender do Carlos foi surpreendente, come\u00e7ando de imediato a explorar o teclado e questionando-me sobre a localiza\u00e7\u00e3o de cada tecla e respetiva fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta primeira fase, de forma a auxiliar a navega\u00e7\u00e3o no teclado, foi impresso um miniteclado, em Braille, funcionando como mapa. O mapeamento de teclas, na sua correta ordem e posi\u00e7\u00e3o, foi realizado atrav\u00e9s do aux\u00edlio de tinta de relevo, dando assim a conhecer as diferen\u00e7as de forma e posi\u00e7\u00e3o existentes num teclado QWERTY. Uma semana, foi o per\u00edodo em que se trabalhou a localiza\u00e7\u00e3o de teclas, tal como a sua fun\u00e7\u00e3o, sendo este trabalho auxiliado pela leitura da pr\u00f3pria linha Braille autom\u00e1tica. Ao fim de quatro semanas, o Carlos, navegava no teclado como qualquer pessoa sem condicionamento visual, demonstrando que por muito receio que ele tivesse, estava ali comigo para aprender e para melhorar. Objetivo 1 alcan\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo, a autonomia foi cada vez evidente, real\u00e7ando um grande \u00e0-vontade na utiliza\u00e7\u00e3o das novas tecnologias, mas faltava algo\u2026 isto n\u00e3o devia limitar o Carlos, mas sim potencializar mais as suas capacidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das situa\u00e7\u00f5es que me fazia pensar era na informa\u00e7\u00e3o limitada \u00e0 qual o Carlos tinha, acesso, porque al\u00e9m de ser cego, era surdo. O que poderia ser feito al\u00e9m da impress\u00e3o em Braille das not\u00edcias referentes ao seu contexto social?<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em pleno abril, desse ano, que obtive conhecimento da Vis\u00e3o Braille, de distribui\u00e7\u00e3o gratuita, e que abordava assuntos da atualidade e do mundo. \u201cUma nova oportunidade de conhecimento.\u201d \u2013 pensei eu, remetendo de imediato um e-mail a solicitar o seu envio. Ap\u00f3s algumas horas recebi um e-mail a confirmar o envio. Mais uma vit\u00f3ria. Mais um canal de comunica\u00e7\u00e3o a explorar e o acesso ao conhecimento a expandir.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre muito atento ao que se passa ao seu redor, esta nova forma de aceder a mais informa\u00e7\u00e3o, ajustada \u00e0 sua faixa et\u00e1ria, trouxe um novo mundo de saberes, alargando-se horizontes e dando a conhecer not\u00edcias\/factos atuais, numa sociedade de informa\u00e7\u00e3o sempre em muta\u00e7\u00e3o. Estava aberta a \u201ccaixa de Pandora\u201d\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Como em qualquer hist\u00f3ria inform\u00e1tica, os problemas surgiram\u2026 a linha Braille deixara de funcionar&#8230; \u201cE agora? O que poderemos fazer de forma a aumentar a autonomia\/independ\u00eancia do Carlos?\u201d. Foram alguns meses sem contacto inform\u00e1tico devido \u00e0 avaria da linha Braille, cujo or\u00e7amento de repara\u00e7\u00e3o era superior \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de uma nova\u2026 parecia que tudo estava a cair por terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Mas nem tudo s\u00e3o espinhos e surgiu a possibilidade da oferta de uma nova linha Braille para uso pessoal do Carlos\u2026 mais autonomia e a t\u00e3o almejada independ\u00eancia que em tanto se investiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7a ent\u00e3o uma nova fase na interven\u00e7\u00e3o e de explora\u00e7\u00e3o\u2026 uma nova linha, um novo software. Chegara o esperado dia\u2026 a entrega da nova linha Braille, uma Seika 40. Com o Carlos ao meu lado, sempre curioso, questionava-me sobre as suas caracter\u00edsticas e a raz\u00e3o de ser t\u00e3o pequena em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 anterior. \u201cSer\u00e1 que consegue fazer o mesmo que a antiga?\u201d \u2013 perguntava-me ele atrav\u00e9s de l\u00edngua gestual, t\u00e3o bem apurada entre ambos e com gestos t\u00e3o personalizados por n\u00f3s. Tentando transmitir-lhe seguran\u00e7a, assegurei que estava tudo bem e que esta seria muito melhor e muito mais eficaz do que a anterior\u2026 Tudo a correr bem\u2026 entrega realizada, linha nova, mas onde estava o software de leitura de ecr\u00e3? A entidade que oferecera a linha tinha-se esquecido deste pequeno\/grande pormenor\u2026 \u201cMais um problema.\u201d \u2013 pensei eu, mas ao estar sempre em busca constante de conhecimento disse que n\u00e3o haveria problema caso ela suportasse software <em>Open source<\/em>\u2026 (viva o NVDA).<\/p>\n\n\n\n<p>Mais um obst\u00e1culo ultrapassado e m\u00e3os \u00e0 obra\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Com a chegada deste novo equipamento outra situa\u00e7\u00e3o insurgiu-se\u2026 a possibilidade de o Carlos possuir um computador em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de um m\u00eas foi realizado um treino inform\u00e1tico (ligar\/desligar tanto a linha Braille como o software necess\u00e1rio), em contexto institucional, de forma a potencializar a autonomia da utiliza\u00e7\u00e3o do novo equipamento em diversos contextos, posteriormente instalando-se um computador em casa do pr\u00f3prio e possibilitando o aumento de comunica\u00e7\u00e3o, quer seja com os seus pais, de idade avan\u00e7ada, quer seja com outras pessoas que frequentavam a sua casa. Chegou a fase mais importante desta etapa\u2026 a montagem de um computador em casa. Mais uma vez, independentemente da capacidade demonstrada, as d\u00favidas come\u00e7aram a surgir: \u201cSer\u00e1 que se vai adaptar bem?\u201d, \u201cN\u00e3o estando eu presente, ser\u00e1 que ele conseguir\u00e1?\u201d \u2026 mas como sempre, para a frente \u00e9 que \u00e9 caminho e toca a arriscar\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Ligou-se o equipamento, em conjunto com o Carlos, de forma a perceber o local de liga\u00e7\u00e3o de cada perif\u00e9rico e ele sorriu e diz-me \u201cAgora j\u00e1 posso trabalhar tamb\u00e9m em casa\u201d, deixando-me feliz e reconfortado no meio das minhas incertezas todas. Pensei de imediato para mim \u201cEle est\u00e1 preparado\u201d, mas como qualquer \u201cpai coruja\u201d custa ver os filhos voar\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios anos passaram e a evolu\u00e7\u00e3o do Carlos no manuseamento destes equipamentos foi not\u00f3ria. Com tudo encaminhado e cada vez a demonstrar uma maior autonomia, chega um novo desafio\u2026 a Internet. Porque \u00e9 que o Carlos n\u00e3o poderia aceder a um novo mundo de comunica\u00e7\u00e3o? Quem seria eu para o impedir a obter mais e melhor informa\u00e7\u00e3o ao minuto?<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o come\u00e7a uma nova fase\u2026 a da globaliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ter como objetivo a promo\u00e7\u00e3o de um maior leque de informa\u00e7\u00e3o, esta fase foi subdividida em v\u00e1rias etapas:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" style=\"list-style-type:lower-alpha\">\n<li>O que \u00e9 internet;<\/li>\n\n\n\n<li>O que significa on-line;<\/li>\n\n\n\n<li>O que \u00e9 um motor de busca;<\/li>\n\n\n\n<li>Como pesquisar informa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Veracidade da Informa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Numa fase inicial foi explicado e debatido, entre ambos, o que era a Internet, como e porque surgiu, enaltecendo as suas potencialidades, mas tamb\u00e9m alguns perigos na sua utiliza\u00e7\u00e3o. Nesta fase tamb\u00e9m foi abordado o termo \u201con-line\u201d e a sua diferencia\u00e7\u00e3o face \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que o Carlos tinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Noutra fase foi explicada e experienciada a utiliza\u00e7\u00e3o de um motor de busca, alertando-se para a situa\u00e7\u00e3o das <em>Fake News. <\/em>Est\u00e1vamos no in\u00edcio de 2020 e foi ent\u00e3o que chegou a COVID-19. Mais um problema! Tivemos de suspender a abordagem \u00e0 Internet e aos seus componentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a chegada da situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica global, as institui\u00e7\u00f5es tiveram de moldar os seus procedimentos, os seus contactos e acima de tudo a forma como encarar e auxiliar o Outro, sem o colocar em risco ou perigo de sa\u00fade. Nessa altura, em que cada um de n\u00f3s devia evitar os seus contactos ao m\u00e1ximo, a maior d\u00favida surgiu-me \u201cO que se poder\u00e1 fazer se o Carlos precisar de algo? Ficar\u00e1 privado de obter informa\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser aquela transmitida pelos seus pais? De que forma poderei auxiliar mais e melhor?\u201d Atualmente, ao recordar-me desse per\u00edodo, confesso que n\u00e3o foi muito agrad\u00e1vel, tendo apenas ido algumas vezes ao seu domic\u00edlio de forma a prestar os cuidados tecnol\u00f3gicos m\u00ednimos que ele solicitava.<\/p>\n\n\n\n<p>Num per\u00edodo p\u00f3s COVID-19, em que o Carlos regressa regularmente \u00e0 institui\u00e7\u00e3o denotei alguma \u201cferrugem\u201d nas suas compet\u00eancias inform\u00e1ticas, sendo resultado de uma situa\u00e7\u00e3o mais preocupante. A linha Braille atual estava com problemas e segundo a assist\u00eancia, devido a ser um modelo antigo, teria de ser mandada para a Coreia para arranjo, n\u00e3o se sabendo o tempo que poderia demorar ou se haveria regresso da mesma. Mais uma vez o problema de equipamento estava a impedir de alcan\u00e7ar mais e melhor conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a linha ainda funciona, mas o Carlos encontra-se com um processo de ajudas t\u00e9cnicas a decorrer, aguardando o equipamento solicitado para a promo\u00e7\u00e3o de uma vida mais aut\u00f3noma e informada, e que permita tamb\u00e9m o recome\u00e7o das atividades suspensas relativas ao uso da Internet e \u00e0s possibilidades oferecidas por esta.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionando-o sobre este processo \u00e9 curioso como ambos rimos a relembrar o nosso percurso, os nossos medos, mas, de igual forma, a festejar as nossas conquistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, posso concluir e indo ao encontro do prov\u00e9rbio popular \u201cEm terra de cego quem tem olho \u00e9 rei\u201d, o qual referi no in\u00edcio, que o conjunto de situa\u00e7\u00f5es inerentes ao Carlos, que levou a implementar e promover um conjunto de novas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, desafiando constantemente a minha zona de conforto em prol do Outro, mas de igual forma me obrigou a inovar e ajustar-me a novos contextos insurgentes, mas que tudo isto vale a pena quando nos dizem \u201cAgora as pessoas conseguem compreender melhor o que eu quero\u201d (Carlos).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O impacto da tecnologia na minha vida<\/h3>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A inform\u00e1tica trouxe-me muitas coisas boas. Atrav\u00e9s do computador consigo ler, coisa que nunca tinha feito, nunca tinha lido.<\/p>\n\n\n\n<p>O computador ajuda-me muito, incluindo a comunicar e socializar. Atrav\u00e9s da linha Braille consigo comunicar com mais pessoas. Consigo transmitir mensagens e receber.<\/p>\n<cite>Carlos Manuel Ribeiro Santos<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-7\/\">Anterior<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-2 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/indice\/\">\u00cdndice<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-right is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-3 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-9\/\">Seguinte<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cap\u00edtulo 8 &#8211; Com as m\u00e3os eatrav\u00e9s das m\u00e3os Autor: Bruno Filipe Pedroso Duarte Coautor: Carlos Manuel Ribeiro Santos Palavras-chave: forma\u00e7\u00e3o profissional, inform\u00e1tica, surdo-cegueira Cita\u00e7\u00e3o: Duarte, B. &amp; Santos, C. (2023). Com as m\u00e3os e atrav\u00e9s das m\u00e3os. In M. Francisco, C. Tom\u00e1s &amp; S. Malheiro (Orgs.). 12 hist\u00f3rias educacionais: Ser diferente na diversidade. Pr\u00e1ticas [&hellip;]","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2182","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2182"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2182\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2266,"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2182\/revisions\/2266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}