{"id":2188,"date":"2024-01-25T22:25:32","date_gmt":"2024-01-25T22:25:32","guid":{"rendered":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/?page_id=2188"},"modified":"2024-01-26T22:17:38","modified_gmt":"2024-01-26T22:17:38","slug":"capitulo-11","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-11\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 11"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cap\u00edtulo 11 &#8211; Quando a dislexia deixa de mandar em n\u00f3s!<\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Autores: <\/strong>Sofia Malheiro&nbsp;e Rita Baptista<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave: <\/strong>centro de estudos, ludicidade, dislexia<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cita\u00e7\u00e3o:<\/strong> Malheiro, S. &amp; Baptista, R. (2023). Quando a dislexia deixa de mandar em n\u00f3s. In M. Francisco, C. Tom\u00e1s &amp; S. Malheiro (Orgs.). <em>12 hist\u00f3rias educacionais: Ser diferente na diversidade. Pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas em contextos pouco vis\u00edveis<\/em>. [Online]. LEAD, Universidade Aberta.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Relato da Sofia (centro de estudos)<\/h3>\n\n\n\n<p>A Carolina era uma menina t\u00edmida. Aproximou-se de mim e nada dizia. Cabe\u00e7a baixa, olhos fixos no ch\u00e3o e o sil\u00eancio da sua voz gritava ajuda, pelas palavras da m\u00e3e. De rela\u00e7\u00e3o f\u00e1cil, carinhosa e meiga, a Carolina depressa estabeleceu rela\u00e7\u00e3o comigo e, com propostas negociadas de tarefas, o ver\u00e3o terminava com a vontade de iniciar uma nova etapa de vida: o 2.\u00ba ciclo de escolaridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma periodicidade trissemanal, o apoio psicopedag\u00f3gico, ministrado no centro de estudos e em plena articula\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia, centrava-se na adapta\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados de l\u00edngua portuguesa e de matem\u00e1tica em torno de atividades e tarefas l\u00fadicas, pelas quais a Carolina era apaixonada. Desenhar, pintar, fazer bandas desenhadas, construir jogos de associa\u00e7\u00e3o, escrita criativa, utilizar o computador, fazer um dicion\u00e1rio ilustrado, domin\u00f3 de s\u00edlabas, escrita de pseudopalavras, leitura de hist\u00f3rias, constru\u00e7\u00e3o de livros diversificados, enfim&#8230; tudo servia para fazer da aprendizagem uma fonte de motiva\u00e7\u00e3o e prazer em contexto de centro de estudos. Com o passar do tempo come\u00e7amos a trabalhar em estreita rela\u00e7\u00e3o com a equipa de apoio na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o especial e da psicologia, da escola que frequentava. As atividades feitas no centro de estudo eram motivo e motor de produtos de estudo associados aos conte\u00fados curriculares n\u00e3o s\u00f3 da disciplina de Portugu\u00eas e de Matem\u00e1tica, mas tamb\u00e9m acabaram por ser extens\u00edveis \u00e0s \u00e1reas curriculares disciplinares de Ingl\u00eas, Hist\u00f3ria e Geografia de Portugal e Ci\u00eancias da Natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi neste cen\u00e1rio de \u201cvai e vem\u201d em trocas triangulares entre fam\u00edlia\/escola\/centro de estudos que ficaram definidas para a Carolina as seguintes estrat\u00e9gias:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Tempo extra para a realiza\u00e7\u00e3o da tarefa em contexto de sala de aula, podendo ter continuidade no centro de estudos ou em casa;<\/li>\n\n\n\n<li>Ajustar a tarefa ao desempenho (bem-sucedido) da Carolina;<\/li>\n\n\n\n<li>Promover a realiza\u00e7\u00e3o de um Plano Individual de trabalho (metodologia Escola Moderna) nas disciplinas nucleares (Portugu\u00eas e Matem\u00e1tica);<\/li>\n\n\n\n<li>Ajustar a avalia\u00e7\u00e3o de forma a n\u00e3o gerar frustra\u00e7\u00e3o e potenciar a motiva\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Leitura dos enunciados, por parte de um adulto, em momentos de provas escritas;<\/li>\n\n\n\n<li>Elogiar sempre o desempenho da Carolina, mas demonstrar que ainda pode fazer melhor;<\/li>\n\n\n\n<li>Apelar ao cuidado brioso na escrita caligr\u00e1fica, em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho, inclina\u00e7\u00e3o e desenho de letra, evidenciando que sabemos que consegue \u201cfazer melhor\u201d e \u201cmais bonito\u201d;<\/li>\n\n\n\n<li>Valorizar produtos de estudo feitos na explica\u00e7\u00e3o (ex: cart\u00f5ezinhos, jogos sobre os conte\u00fados curriculares, produtos de estudo diversificados), pedir para mostrar ao grupo\/turma, elogiando.<\/li>\n\n\n\n<li>Contemplar, na avalia\u00e7\u00e3o, pondera\u00e7\u00e3o para TPC\u2019s realizados, produtos de estudo feitos no centro de estudos e em casa, caderno di\u00e1rio organizado e bem-apresentado e cadernos de atividades com fichas resolvidas;<\/li>\n\n\n\n<li>A Carolina gosta de ajudar e tem \u201cvergonha\u201d de se expressar perante o grande grupo, foi interessante os professores pedirem a sua coadjuva\u00e7\u00e3o em \u201cpalco\u201d, nas mais diversificadas tarefas de ensino, o que permitiu ir contrariando esta situa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>TPC\u2019s ajustados \u00e0s dificuldades da Carolina, em termos de potenciar o trabalho aut\u00f3nomo, promover a autoconfian\u00e7a e, consequentemente, desenvolver o autoconceito e a autoestima.<\/li>\n\n\n\n<li>Enunciados de exerc\u00edcios faseados, isto \u00e9, uma quest\u00e3o de cada vez e, no caso da matem\u00e1tica, por exemplo, em enunciados que envolvessem mais do que uma opera\u00e7\u00e3o em racioc\u00ednio encadeado, simplificando a apresenta\u00e7\u00e3o do mesmo atrav\u00e9s de al\u00edneas de opera\u00e7\u00f5es individualizadas;<\/li>\n\n\n\n<li>Uso de m\u00e1quina de calcular para opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, associadas \u00e0 capacidade de desempenho e c\u00e1lculo mental da Carolina;<\/li>\n\n\n\n<li>Em textos \/ leituras de dimens\u00e3o maior, fracionar a exig\u00eancia por cap\u00edtulo, com constru\u00e7\u00e3o de gui\u00f5es de leitura adaptados de forma a avaliar a efetiva compreens\u00e3o do conte\u00fado.<\/li>\n\n\n\n<li>Promover a constru\u00e7\u00e3o individual, por parte da Carolina de um Gloss\u00e1rio Tem\u00e1tico nas disciplinas de HGP e de Ci\u00eancias motivando-a para preparar esse recurso a tempo de poder ser distribu\u00eddo pelos colegas para estudo destes e consequente prepara\u00e7\u00e3o para os testes.<\/li>\n\n\n\n<li>A Carolina precisava ser valorizada em contexto de grupo\/turma para se conseguir expor em apresenta\u00e7\u00f5es orais. Aqui foi combinada com a escola a estrat\u00e9gia de aceitar apresenta\u00e7\u00f5es orais, previamente gravadas em v\u00eddeo, no centro de explica\u00e7\u00f5es. Hoje a Carolina j\u00e1 apresenta trabalhos ao grupo turma.<\/li>\n\n\n\n<li>Promover e valorizar o preenchimento dos cadernos de atividades, considerando a ajuda da Carolina como fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de um ficheiro autocorretivo, por exemplo, a disponibilizar aos colegas da turma. Este processo contribuiu em muito para a promo\u00e7\u00e3o do autoconceito e auto estima da Carolina;<\/li>\n\n\n\n<li>Solicitar \u00e0 Carolina a constru\u00e7\u00e3o de cartazes tem\u00e1ticos A3, para afixar em sala de aula, alusivos aos conte\u00fados curriculares a trabalhar, valorizando a exposi\u00e7\u00e3o da aluna no contexto grupo\/turma e alimentando a sua motiva\u00e7\u00e3o para as aprendizagens;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Estas estrat\u00e9gias foram determinantes para a inclus\u00e3o da Carolina em sala de aula, bem como para o sucesso da mesma nas diferentes fases do 5.\u00ba e 6.\u00ba ano de escolaridade que terminou com sucesso escolar pleno e com uma \u201cnova\u201d Carolina perante a escola e a aprendizagem, no final deste 2.\u00ba ciclo.<\/p>\n\n\n\n<p>O centro de estudos permitia trabalhar, sozinha ou em pequeno grupo, de forma entusiasmada e significativa, alicer\u00e7ada na psicopedagogia da ludicidade, dando um sentido valorativo a tudo o que a Carolina fazia ecoando no grupo turma em que estava inserida.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Relato da m\u00e3e<\/h3>\n\n\n\n<p>A Carolina quando come\u00e7ou a frequentar o 1.\u00ba ano, a professora falou comigo e disse-me que a minha filha tinha um problema fonol\u00f3gico. Eu disse que tinha duas sobrinhas que tinham dislexia e que poderia ser isso. Levei a Carolina a fazer uma avalia\u00e7\u00e3o com uma terapeuta da fala e o resultado foi que tinha dislexia grave. A Carolina andou a fazer terapia da fala no Hospital de Alcoit\u00e3o. Quando transitou para o 2.\u00ba ano de escolaridade come\u00e7ou a ter apoio com uma explicadora que era tamb\u00e9m professora do 1.\u00ba ciclo do ensino b\u00e1sico. Come\u00e7ou a ter melhorias na escola, mas a motiva\u00e7\u00e3o para a escola n\u00e3o era muita.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois veio a pandemia com as aulas online e foi realmente muito dif\u00edcil e complicado para n\u00f3s, pais, aqui em casa. Tent\u00e1vamos ensinar a Carolina e ela teimava que n\u00e3o era assim, que a professora ensinava de outra maneira. Entretanto deu-se a transi\u00e7\u00e3o para o 5.\u00ba ano e a entrada no 2.\u00ba ciclo do ensino b\u00e1sico. Foi aqui que conhecemos o centro de estudos e falamos com a Sofia. Not\u00e1mos de imediato outro tipo de motiva\u00e7\u00e3o na Carolina em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escola. Mais interesse por aprender. Come\u00e7ou a ter melhores notas e mais motiva\u00e7\u00e3o para estudar. A Sofia est\u00e1 a fazer um \u00f3timo trabalho com a nossa filha porque mesmo em casa ela gosta de dar continuidade \u00e0s tarefas que faz com a Sofia no centro de estudos. A Carolina transitou com sucesso a todas as disciplinas do 5.\u00ba para o 6.\u00ba ano e, neste momento termina com sucesso o 6.\u00ba ano de escolaridade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-10\/\">Anterior<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-2 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/indice\/\">\u00cdndice<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-right is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-3 wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-fill\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/lead.uab.pt\/helaheduki\/capitulo-12\/\">Seguinte<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cap\u00edtulo 11 &#8211; Quando a dislexia deixa de mandar em n\u00f3s! Autores: Sofia Malheiro&nbsp;e Rita Baptista Palavras-chave: centro de estudos, ludicidade, dislexia Cita\u00e7\u00e3o: Malheiro, S. &amp; Baptista, R. (2023). Quando a dislexia deixa de mandar em n\u00f3s. In M. Francisco, C. Tom\u00e1s &amp; S. Malheiro (Orgs.). 12 hist\u00f3rias educacionais: Ser diferente na diversidade. 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